vejo nossa vida que se passa
por entre os dias estranhos
nossa força que se consome
pelo tempo tão insone
por um desespero de arruaça
pelo sufoco da fumaça
pelo ardume da cachaça.
olhos claros a juventude
riso aberto a amplitude
mãos sedentas a atitude
corpo rijo a juventude.
nossas vidas lá se vão
antigas nas ruas sem mão
no desastre partido o coração
na notícia contida a reação.
na praça um domingo
rebate o sino
nos ouvidos soam sermões
mas o corpo cala as orações.
e os vultos envelhecem
na cabeça espreitam os amigos
uns há muito varridos
outros de amores esquecidos
não se lembram de um domingo
e corações vão se partindo
por essa vida que se passa
agora calada sem graça
moendo nossa carcaça.
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