Algumas lembranças ficam acrisoladas no nosso ser e sob o poder misterioso do Universo retornam quando delas precisamos. Pra recomeçar. Pra continuar. Pra fechar ciclo. Foi assim que, dias atrás, em um banco ( não, não era o de jardim ) vi no dedo de uma moça um anel-escrava. Era como, décadas atrás, denominavam o aro de ouro com desenhos de cenas egípcias. A lembrança emergiu forte. Meu pai, motorista, não tinha recursos para luxo. E anel-escrava de ouro era puro luxo para nós. Minha mãe, sempre alma de artista, convenceu-o. “ As meninas vão recomeçar o ano muito mais alegres.” E foi então que minha irmã e eu ganhamos, naquele longínquo Natal, nossos anéis de luz dourada a irradiar amor e fé para o próximo ano.
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