A disputa, que já estava aberta, toma ares de enigma após condenação
Desde a primeira eleição direta para a presidência da República após a redemocratização, há 30 anos, o Brasil não viveu um cenário tão incerto como o deste ano. Com a ratificação da condenação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) em segunda instância, sua candidatura corre sério risco de não se confirmar. A disputa, que já estava aberta, toma ares de enigma.
Lula lidera as pesquisas de intenção de voto, seguida de perto por Jair Bolsonaro (PSC). Nomes tradicionais também aparecem como pré-candidatos. Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Álvaro Dias (Podemos), Cristovam Buarque (PPS) e até o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTC) pretendem estar com suas fotos nas urnas em outubro. Há também os candidatos de partidos nanicos – os eternos Levy Fidelix (PRTB) e José Maria Eymael (PSDC), além de João Amoedo (Partido Novo) e Valeria Monteiro (PMN). O PT ainda pode perder a companhia do PCdoB, que deve lançar Manuela d’Ávila à presidência. Os nomes são muitos, mas nenhum com fôlego ainda – segundo as últimas pesquisas – para despontar como favorito.
No PT, que lançou ontem a pré-candidatura de Lula – numa nova afronta à Justiça –, o clima é de desânimo. Sabem que a vida política do grande ícone do partido está com os dias contados. Com a condenação por unanimidade, inclusive na dosimetria da pena – 12 anos e um mês de prisão –, viram a possibilidade de postergar o início do cumprimento da pena e insistir com a candidatura esvair-se. Acreditam que o único recurso possível em segunda instância – que não muda a sentença, apenas esclarece pontos da decisão – seja julgado em no máximo dois meses. Acreditam que Lula seja preso já em abril, enterrando de vez as pretensões eleitorais do partido que governou o Brasil por 14 anos. Dentro do quadro petista, não há um nome para substituir Lula. Segundo as pesquisas, quem melhor aparece nos levantamentos é a ex-presidente Dilma Rousseff. Mas, com altíssimo índice de rejeição, enfrenta resistências dentro do próprio partido.
O PT, lançado ao fogo por seus próprios membros, está a um passo da sepultura. Para ressurgir, terá de se reinventar. Em menor grau, a situação de desgaste e afastamento da população abate todos os partidos, todos os políticos. O atual modelo político brasileiro está morto. O Brasil vive um momento histórico. Assistimos à morte de nossa política. Por isso, a incógnita do pleito de aqui a nove meses – período sugestivo, o exato tempo de uma gestação. É chegada a hora de aproveitarmos essa morte política da Nação para renascermos, mais fortes, livre de corruptos e corruptores, em outubro. O poder saiu das mãos das velhas raposas políticas. O poder, agora, está em nossas mãos.
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