Humildade


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Todos com mais de quarenta anos lembram da eleição para prefeito de São Paulo, ocorrida no ano de 1985, tendo como candidatos, dentre outros, o então ex-presidente Jânio da Silva Quadros (PTB) e o sociólogo Fernando Henrique Cardoso (PMDB), que posteriormente se elegeu por duas vezes presidente da República pelo PSDB.
 
Um pouco antes do pleito as pesquisas indicavam uma vantagem considerável de Fernando Henrique Cardoso, tanto que ele já se considerando eleito, deixou-se fotografar sentado na cadeira do então prefeito da cidade de São Paulo, Mário Covas, a quem pretendia suceder.
 
Mas quem tem um pouco de expertise em política partidária sabe que “em eleição e em mineração, só se conhece concretamente o resultado depois da apuração”. O fato é que, surpreendentemente, Jânio Quadros acabou ganhando a eleição por uma pequena margem de votos.
 
Retrato esse episódio hoje, para que se possa refletir sobre a provável causa da derrota de Fernando Henrique. Os analistas da época, atribuíram a sua derrota ao fato dele ter transparecido ser ateu, além de ter demonstrado arrogância ao se julgar eleito, antes do pleito.
 
O hilário foi o fato de Jânio Quadros, no dia da sua posse, em um ato simbólico, ter desinfetado a cadeira de Prefeito e exclamado aos presentes: “Gostaria que os senhores testemunhassem que estou desinfetando esta poltrona porque nádegas indevidas a usaram. Sim, porque o senhor Henrique Cardoso nunca teria o direito de sentar-se cá e o fez, de forma abusiva, por isso, desinfeto”.
 
No entanto, o episódio, além de folclórico, serve para demonstrar que o povo não tolera arrogância e falta de humildade. Aliás, em Franca, já tivemos exemplos disso.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

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