Mosquito, macaco, doença e histeria


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Preocupação contra febre amarela deve ser permanente. A histeria, dispensada
Toda temporada de verão, a história se repete. Uma doença tropical volta a rondar o Brasil, ameaçando com um surto ou epidemia, fazendo vítimas em diferentes pontos do País, espalhando a preocupação, entre uns, e a histeria, entre outros. Nos últimos anos tem sido assim. Este 2018 é o ano da febre amarela. Aparentemente erradicada, ela ressurgiu no início do ano passado, mas ofuscada pela dengue, zika e chicungunya, apesar de letal, não chegou a causar tanto pavor. Neste ano, porém, é diferente. Ela matou na Grande São Paulo, ela não divide os holofotes da mídia com outras doenças... O resultado é a histeria de parte da população que vive nas áreas com surto da febre amarela.
 
A preocupação deve ser permanente. A histeria, dispensada. No caso de Franca, especificamente, as autoridades de saúde pregam a cautela. A cidade não está em zona de risco e, por isso, não há indicação de vacinação. As UBSs (Unidades Básicas de Saúde) possuem doses da vacina. Mas, neste momento, devem se vacinar pessoas que viajarão para regiões que possuem surtos da doença ou países que exigem dos brasileiros a imunização. O cenário é diferente do ano passado, quando a febre amarela chegou perto da cidade. Um morador de Delfinópolis (MG) chegou a ficar internado em Franca, mas morreu em decorrência da doença. Naquela época, a Secretaria Municipal de Saúde saiu a campo e vacinou os moradores dos bairros rurais francanos. Todos os vacinados estão imunes, por toda a vida. Não há motivos para se vacinar novamente.
 
Aí mora outro perigo. Uma segunda dose em um curto período pode ser perigosa. Aqui, a vacina é dada integralmente. Basta uma dose – vale repetir – para a vida inteira. Em regiões de São Paulo, como a região metropolitana da capital, Rio de Janeiro e Minas Gerais, haverá já nesta semana uma campanha de vacinação, com doses fracionadas. A eficiência é a mesma, mas por um curto período. Quem tomá-la deverá se vacinar novamente daqui a oito anos.
 
O surto urbano da doença, em grandes metrópoles, é precedido por mortes de macacos – tão vítimas quanto os humanos do vírus da febre amarela. Aqui surge outra faceta da histeria. Para tentar se livrar da doença – em vão –, ignorantes promovem uma matança de primatas. Eles não transmitem a doença. A morte de macacos, na verdade, alerta os humanos de que a febre amarela está presente. Quem transmite a doença na verdade são três mosquitos, entre eles, o Aedes aegypti, o mesmo da dengue, zika e chicungunya. É contra ele que devemos mirar nosso foco. É dele que não podemos esquecer. A receita para combatê-lo sabemos de cor. Não há motivo para relaxar. Lutar contra ele é responsabilidade sua.

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