Papa Francisco visita o Chile e pede perdão


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‘Não posso deixar de manifestar a dor e a vergonha ante o dano irreparável causado a menores por parte de representantes da Igreja.” Esta foi uma das primeiras falas do papa Francisco no Chile, onde chegou na última segunda-feira para sua sexta visita a países da América Latina. Palavras duras, para os católicos mais fervorosos. Palavras “vazias”, para umas das vítimas dos 75 casos de abusos sexuais cometidos por um ex-sacerdote de Santiago. Os chilenos se revoltam com a demora da Igreja em reagir. Apenas após sete anos do surgimento das primeiras denúncias é que o religioso foi punido. Os chilenos não aceitam que bispos que teriam encoberto o escândalo continuem no alto clero da Igreja. Nem uma audiência com Francisco foi concedida às vítimas.
 
O papa chegou ao Chile com o enorme desafio de lidar com a desconfiança de seu povo. No país, a população católica caiu a 45% do total - 20 pontos porcentuais desde 2010. Ataques a igrejas precederam a chegada do pontífice. Nas ruas, Francisco teve de lidar com um público, em sua maioria, refratário. A popularidade do papa entre os chilenos é a menor entre todos os povos da América Latina. Metade deles considera a visita de Francisco ao seu país “pouco ou nada importante”. As pesquisas expõem em números o descontentamento com a falta de uma atitude mais condenatória e firme contra os crimes de pedofilia, contra membros da Igreja que os praticam ou os encobertam.
 
“Exilada” nos Estados Unidos, uma das vítimas dos abusos viajou a Santiago para falar com Francisco. Ouviu apenas o pedido de desculpas. “São palavras vazias que só causam mais dor. Já se foi o tempo de pedir desculpas, ainda há bispos em seus cargos que viram os abusos e encobriram”, disse Juan Carlos Cruz. As denúncias contra um dos mais importantes religiosos chilenos, o então sacerdote Fernando Karadima, 87, surgiram em 2004. O Vaticano, apenas em 2011, o considerou culpado por 75 casos de abusos sexuais, afastando-o da Igreja.
 
Franca viveu escândalo semelhante, mas aqui a resposta da Igreja se deu tão logo as denúncias surgiram. Em 2010, um garoto com 14 anos, à época, procurou a delegacia junto de três colegas para denunciar que estavam sendo molestados pelo padre José Afonso Dé, então com 75 anos. No mesmo ano em que as denúncias surgiram, o então bispo de Franca, Dom Pedro Luiz Stringhini, afastou o sacerdote de suas funções e pediu perdão às vítimas e aos fiéis. Padre Dé morreu em 2016, recorria em liberdade de duas condenações na Justiça pelos crimes.
 
Ainda no Chile, Francisco disse que a Igreja vive “momentos de turbulência” e acrescentou: “[Enfrentem] a realidade como ela se apresenta. Devemos passar de uma Igreja abatida e desolada para uma Igreja capaz de colocar-se a serviço dos abatidos e desolados”. Assim seja!
 

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