PRESIDENTE MICHEL TEMER INICIA, agora, OFENSIVA SOBRE FORMADORES DE OPINIÃO
O presidente Michel Temer intensifica uma ofensiva para tentar aprovar no próximo mês, quando termina o recesso parlamentar, a reforma da Previdência. O Palácio do Planalto se afunda numa espécie de vale-tudo para que o texto com as mudanças seja aprovado pelo Congresso Nacional. O problema é que, focado na Previdência, o governo federal coloca em risco os pequenos avanços econômicos conquistados nos últimos meses. O pacote de bondades de Temer para atrair parlamentares e apoio de governadores, por exemplo, inclui o escancaramento dos cofres públicos - já extremamente deficitários - com liberação de verbas; negociatas de cargos no alto escalão do governo; reunião com líderes de atividades econômicas e religiosas e até entrevistas a programas de televisão.
A maior dificuldade de Temer é convencer os parlamentares a votarem a favor da medida impopular em um ano de eleições gerais. De acordo com cálculos do próprio Planalto, cerca de 100 deputados da base aliada estão indecisos, justamente por temerem a reação em seus redutos eleitorais. A estratégia, então, foi focar as investidas em formadores de opinião, para, assim, tentar convencer os cidadãos comuns de que a reforma da Previdência é essencial para a recuperação econômica do País. A ofensiva começou nessa segunda-feira, quando Temer recebeu no Planalto o apóstolo Valdomiro Santiago, fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus. Ainda constam da agenda encontros com os pastores Samuel Ferreira e Samuel Câmara, da Assembleia de Deus, e Silas Malafaia, do Ministério Vitória em Cristo. Padres católicos também estão no alvo, mas, nesse caso, o governo esbarra na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que já se declarou contrária à reforma.
Outro foco do governo são os programas de televisão. Temer deve gravar entrevistas durante esta semana com os apresentadores Amaury Jr., da Band, e Ratinho e Silvio Santos, do SBT. Esse último, inclusive, tem usado seu canal de sinal aberto para promover a reforma da Previdência. Com pastores e astros da TV ao seu lado, o presidente da República espera chegar à população de baixa renda - reduto que concentra a maior resistência às mudanças, segundo levantamentos do próprio Planalto.
Tentar convencer a população de que as mudanças são necessárias é um ato legítimo do presidente. O que não pode, porém, é aumentar ainda mais o rombo do fisco nacional, com a liberação de verbas para conquistar votos. O que não pode é manter a vergonhosa situação de Cristiane Brasil, proibida pela Justiça de assumir o Ministério do Trabalho, por conta dos votos do PTB. O que não pode é levar o Brasil a uma nova crise para tentar tirá-lo de uma velha crise.
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