Quatro vidas foram ceifadas pelo trânsito. Outras duas por bandidos
Franca vive os primeiros dias de 2018 manchada pelo sangue da violência. Em apenas 11 dias, foram seis mortes. Quatro vidas foram ceifadas pelo trânsito, que não para de contabilizar tragédias no município. Outras duas foram interrompidas por armas nas mãos de marginais. Bandidos que agem sem o menor temor, como se não houvesse lei, como se vivêssemos numa terra de ninguém. Eles atacam nas ruas, dentro de nossos lares. Espalham entre os cidadãos francanos a certeza de que não há lugar seguro, tranquilo... A certeza de que estamos à mercê da própria sorte.
Nos últimos minutos do dia 3, um universitário de 19 anos estava com a namorada em uma rua do Villagio Novo Mundo, quando um bandido atacou. Queria levar o veículo, mas levou também a vida de João Victor de Barcelos Bico, do Leporace. O estudante foi baleado e morreu horas depois, na madrugada do dia 4. Já na noite de segunda-feira, o comerciante Vilmar Antônio de Souza, 43, chegava em casa no Paulistano, após mais um dia de trabalho. Não sabia que dentro do próprio lar sua família já era mantida refém por ladrões. Ele foi rendido, queriam o cofre. Ouve-se um tiro. Os bandidos fugiram na caminhonete de Vilmar e em outro carro. O comerciante havia sido baleado no ombro. Foi socorrido. Ficou internado até a madrugada de quinta, quando não resistiu. Tornou-se a segunda vítima de latrocínio (roubo seguido de morte) na cidade em menos de dez dias.
Até a morte de João Victor, Franca não registrava um latrocínio desde abril de 2016. Foram 20 meses em que os ladrões não deixaram de agir, mas pelo menos não matavam. “O bem material - dizem os brasileiros, resilientes que somos -, a gente recupera.” Mas, e quando vidas se vão? Ficam a saudade, a tristeza, a revolta, a desesperança. Vão-se os sonhos, as experiências, a companhia, a alegria.
Não bastasse a violência causada por bandidos, Franca ainda registrou tragédias no trânsito. Na noite do primeiro dia do ano, o repositor Nalber Silva Barbosa e o sapateiro Patrick Luiz Cunha, ambos de 20 anos, morreram após suas motos baterem no Jardim Luiza. Na tarde do dia 5, um capotamento na Cândido Portinari matou o vice-prefeito de Cristais Paulista, Edvaldo Costa, 55. Nessa quarta-feira, o sapateiro Luciano Ribeiro, 25, pilotava uma moto pela avenida Reinaldo Chioca, perdeu o controle e chocou-se contra um alambrado. Foi socorrido, mas morreu na quinta-feira.
João Victor, Vilmar, Nalder, Patrick, Edvaldo e Luciano. Seis histórias que se encerram de forma trágica, absurda, estúpida. Seis vidas interrompidas pela violência. Franca ainda tenta compreender o que está acontecendo com este ano que se inicia. Mas, enquanto a compreensão não vem, é preciso cobrarmos de nossas autoridades maior segurança no trânsito; um combate efetivo aos marginais que nos assombram dia e noite, em casa ou rua. Temos de gritar por segurança. Temos de gritar pelo nosso direito à vida.
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