“O sonho da casa própria em São José da Bela Vista está longe de se tornar realidade. As obras de 108 moradias populares que estão sendo construídas na cidade, por meio de uma parceria entre CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) e Prefeitura, se desenvolvem em ritmo lento e não há prazo para retornarem ao normal.” Assim começava uma reportagem deste Comércio, em março de 2015. Passados praticamente três anos, nada mudou. A não ser pela ação de moradores da cidade que decidiram, num ato extremo, invadir as unidades habitacionais no início desta semana.
As obras foram iniciadas em junho de 2012. Com custo total de R$ 7,5 milhões, foram anunciadas 108 unidades com 56,67 m² cada - dois dormitórios, sala, cozinha e banheiro. Um sonho para 108 famílias da pequena São José, que deixariam de pagar aluguel ou morar de favor para, enfim, terem suas tão sonhadas casas próprias. Os futuros moradores viram o terreno ser preparado, paredes serem erguidas e - em alguns casos - o telhado colocado. O almejado lar estava cada vez mais perto. O prazo de entrega era meados do ano seguinte. A previsão não se cumpriu.
Dois anos depois, a Prefeitura confirmava a morosidade no avanço das obras. Culpava o governo anterior, quando o empreendimento teria ficado parado por seis meses. Também jogava parte da responsabilidade à falta de repasse da CDHU. Entre o jogo de empurra e o sonho da população, em 2015 chegou-se a marcar data para as inscrições. O sonho reascendia. Mas nada. A lentidão deu lugar à estagnação. As obras pararam. Dois anos depois, novo prefeito assumiu o comando da cidade. Tudo continuava na mesma. Parado. Até esta semana. Revoltados com a incompetência dos entes públicos, populares resolveram invadir as casas.
A CDHU informou que os repasses de verba são feitos de acordo com o andamento das obras, que são de responsabilidade do município - que ainda deve zelar pela segurança das unidades. Já a Prefeitura diz que o processo para contratação de uma empresa para concluir as casas está em fase final. Na próxima semana, os envelopes serão abertos e as obras serão entregues entre 12 e 15 meses. Essas são as promessas mais recentes. O prefeito Paulo César do Nascimento pede que “os invasores deixem as casas numa boa”.
O difícil será convencer esses cidadãos. Calejada pelas mazelas do poder público, a população - não só de São José, mas de todo o País - vive sob a sombra da desconfiança, desiludida com o desprezo de nossos políticos com o bem público. Que desta vez, as coisas sejam diferentes. Pelo menos, em São José.
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