Após a crise que afundou a economia brasileira, a partir do segundo semestre de 2014, levando o País à pior recessão da história, 2017 foi um ano de recuperação. A evolução foi tímida - o PIB (Produto Interno Bruto) deve crescer 1% -, mas suficiente para que o otimismo voltasse a rondar os líderes dos setores que sustentam a economia local. Em matéria publicada no último domingo, neste Comércio, tanto o setor comercial como a indústria projetam um 2018 de recuperação. A esperança está de volta.
O otimismo se alicerça no baixo índice de inflação e na taxa de juros ao menor nível da história. A perspectiva do Banco Central é que a inflação feche 2017 em 2,8% - números oficiais serão divulgados ainda neste mês - e seja de 4,2% neste ano. Já a taxa básica de juros caiu de 7,5% para 7% em dezembro, com tendência de nova queda em fevereiro, apesar de mais moderada. O BC aposta na Selic a 6,75% neste início de ano.
Tais números renovam a confiança do consumidor, que está menos temeroso de ir às compras. O presidente da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), Dorival Mourão Filho, destacou que “a confiança do consumidor vem se restabelecendo gradativamente e, depois de três anos de queda, o índice da FGV (Fundação Getúlio Vargas) - que mede essa predisposição ao consumo - teve saldo positivo”. Números da entidade apontam para a criação de 9 mil postos de trabalho apenas no primeiro semestre deste ano no setor comercial de Franca.
Para a indústria, 2018 será um ano de “boas perspectivas”. “Acredito já em bons resultados e expectativa positiva para as empresas que participarem (da Couromoda, na próxima semana). Buscamos o fortalecimento das exportações. É claro que ainda precisamos de muitas melhoras, especialmente as reformas por parte do Governo Federal”, ressaltou José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca).
E são das reformas que depende a manutenção deste cenário de recuperação. O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, no final do ano passado em entrevista ao jornal Valor, defendeu que a inflação permanecerá baixa somente se as reformas econômicas - principalmente a da Previdência - forem votadas. É hora de nossos políticos deixarem a politicagem e interesses eleitoreiros de lado para garantir à nação garantias de um futuro mais promissor. Porque, como o próprio Goldfajn defende, a inflação baixa devolve o poder de compra da população, estimula o consumo e faz a engrenagem da economia girar.
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