Dezenas de famílias invadiram, no fim de semana, um conjunto habitacional que está sendo construído em São José da Bela Vista. No local, há 108 casas populares. Os sem teto afirmam que todas as unidades foram ocupadas e que a invasão é um protesto pela demora na entrega das moradias. As obras se arrastam há seis anos.
O Conjunto Habitacional São José da Bela Vista “E” começou a ser construído em junho de 2012 por meio de uma parceria entre o governo do Estado e a Prefeitura. O investimento era de R$ 7,1 milhões e o prazo de conclusão era de 12 meses. Seis anos se passaram e as construções não acabaram. Neste período, a cidade teve quatro prefeitos diferentes (Zé Dito, Célia Ferraciolli, Massino e Quinzinho) e ninguém conseguiu entregar as casas. Estima-se que apenas 60% das obras foram concluídas.
Há mais de um ano, nada é feito no local. A construtora responsável abandonou a obra e foi embora. Não há energia elétrica, água encanada, rede de esgoto e muito menos asfalto. Revoltada com a morosidade, a população tomou uma atitude drástica e invadiu as casas. “O que era um sonho, virou um pesadelo. Já fizemos duas inscrições e as casas nunca ficam prontas. Os políticos só enganam a gente com promessas durante as eleições. Como estava havendo vandalismo e as casas estavam tomadas pelo matagal, invadimos para evitar que sejam destruídas”, disse Valéria Elias, uma das integrantes do grupo invasor.
Os sem-teto disseram que estão dispostos a permanecer nas casas até que a Prefeitura tome providências para concluir a construção. “Estamos apenas lutando pelo nosso direito. Pagamos aluguel caro e tem esse monte de casa vazia aqui. Não queremos guerra, mas se a polícia vier com tiro, porrada e bomba, vamos resistir e vai morrer muita gente aqui”, disse Cristiano Rodrigues dos Santos, apontado como líder do movimento.
A CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) informou que a execução da obra e a vigilância do canteiro são de responsabilidade do município e da empresa contratada por licitação, pela Prefeitura. “A Companhia é responsável em repassar recursos, desde que se comprove a evolução do empreendimento por meio de medições. Todo o recurso para a conclusão dos serviços está garantido”, disse a empresa, via nota.
O prefeito da cidade, Paulo César do Nascimento, que assumiu a Prefeitura em maio do ano passado, disse que abriu nova licitação, já em fase conclusão, para contratar nova empresa e concluir as casas. “Na próxima semana, vamos abrir os envelopes e escolher a nova construtora. O prazo de conclusão está previsto entre 12 e 15 meses. Pedi aos invasores que deixem as casas numa boa. Não queremos violência.”
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