Franca tem cerca de 600 pessoas vivendo e morando nas ruas da cidade. O dado faz parte de um censo realizado pela Secretaria de Ação Social para descobrir quem são os moradores de rua. O levantamento começou em setembro do ano passado e agora está em fase de conclusão.
Segundo Vanderlei Tristão, secretário da pasta, os dados serão utilizados para nortear as ações da Prefeitura relacionadas aos moradores de rua. “Hoje sabemos que o perfil do morador de rua de Franca é diferente do de outras cidades do mesmo porte. Aqui, 90% das pessoas que estão nas ruas são dependentes de álcool e drogas.”
O secretário disse que, por conta disso, o trabalho para reintegrar essas pessoas à sociedade é mais complicado. “Em outros centros, a maioria das pessoas que estão nas ruas tem dificuldades financeiras. Moram nas ruas porque não têm opção, mas querem voltar a trabalhar e ter um novo lar. Aqui não é assim. Muitos dos que vivem pelas ruas rejeitam tratamento”.
Outro dado revelado pelo censo é que dos 600 moradores de rua, 70% são cidadãos francanos. “São pessoas que nasceram aqui. Têm famílias aqui. Mas que, por conta do vício, acabaram se afastando ou sendo afastadas dos familiares.”
Os outros 30% são formados por pessoas que vieram de outros municípios. “Para esses, a secretaria conta com o serviço que os auxilia a retornarem a seus municípios. Com a campanha que iniciamos para diminuir a esmola que é dada aos moradores de rua, boa parte deles acabou sem dinheiro e procurou o serviço para voltar para casa”, disse Tristão. Segundo ele, de 25 de outubro a 31 de dezembro, o serviço doou passagens de ônibus para que 147 pessoas retornassem às suas cidades. “Sem conseguir dinheiro nas ruas, elas acabam indo embora. Por isso é importante a população se conscientizar de que, para ajudar, não pode dar esmola”.
A FAMÍLIA
Além do serviço de abordagem que tenta convencer os moradores a buscarem tratamento para a dependência, a Secretaria prepara um novo programa para esse público. “Percebemos que a abordagem e o tratamento são muito mais eficientes quando envolvem a família do dependente”. A ideia é criar um serviço de apoio que dê suporte e orientação aos familiares dessas pessoas que hoje vivem nas ruas. “Queremos trabalhar a recuperação dos vínculos familiares. É um trabalho difícil, mas muito eficiente para o perfil de moradores de rua que temos aqui”.
O serviço contará com diversos profissionais como psicólogos, assistentes sociais e médicos. “Nossa intenção é que ele esteja estruturado até meados deste ano”.
AUDIÊNCIAS
Ainda sobre os moradores de rua, o secretário disse que deve atacar a sugestão do vereador Corrêa Neves Jr. (PSD) de realizar audiências públicas com diversos segmentos da sociedade para discutir como será a política municipal para o tratamento da questão. A ideia é reunir para o debate autoridades, promotores de Justiça, defensores públicos, assistentes sociais, psicólogos e representantes da sociedade civil. “Esse é um problema que atinge a todos. Ele precisa ser amplamente debatido para que possamos encontrar as soluções mais viáveis. Tenho a consciência de que não vamos conseguir acabar com a mendicância e tirar todos os moradores da rua, mas podemos tentar ao menos diminuir essa população que é formada por pessoas que estão doentes e precisam de tratamento.”
As audiências ainda não têm data para acontecer, mas devem ser agendadas ainda nos próximos meses.
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