O (des)governo Michel Temer


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Desde a aprovação do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) pelo Senado, em maio de 2016, o governo Michel Temer (PMDB) dá mostras que, sim, o que já está ruim pode piorar ainda mais. São inúmeras idas e vindas, escândalos. E o País, estarrecido, assiste a tudo atônito, à espera de que o poço político tenha um fundo.
 
Desde a redemocratização em meados dos anos de 1980, o PMDB se firmou como a noiva perfeita - ou seria a dama da zona de meretrício perfeita? Se ‘A’ estivesse no poder, o PMDB era ‘A’.  Mas se o antagonista ‘B’ conseguisse o Planalto, estava lá o PMDB para lhe garantir votos no Congresso. Foi assim até 2010, quando o partido se aproximou ainda mais do governo federal, elegendo Michel Temer vice-presidente de Dilma Rousseff. Em 2014, a história se repete, e mais uma vez a chapa Dilma-Temer vence as eleições. O início do segundo mandato, porém, é marcado pelo agravamento da crise econômica jamais vivida pelos brasileiros. Temer contabilizava votos para o impedimento da petista e não perdeu tempo.
 
Seis ‘eternos’ anos depois, finalmente o dinossauro político - deputado constituinte, congressista de larga experiência, homem de extrema habilidade política - assume a Presidência da República. Desde então, revelou-se a impressionante capacidade de Temer surpreender a Nação. Para o mal. Em menos de dois anos de governo, Temer e seus ministros se viram incrustados no escândalo de corrupção investigado pela Lava Jato. O presidente foi alvo de duas denúncias que o levaram à votação de afastamento do cargo no plenário da Câmara Federal - algo inédito na história da República. Safou-se.
 
Dos escândalos mais graves entre as inúmeras polêmicas do governo Temer, chegamos à mais recente. A nomeação da deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) ao Ministério do Trabalho. Temer pretendia nomear o deputado Pedro Fernandes (PTB-MA) para o cargo. Mas o parlamentar é adversário político de José Sarney em sua ‘república do Maranhão’. O velho cacique então barra o inimigo, e Temer é obrigado a recuar. Ele chama Roberto Jefferson, presidente do PTB, ‘dono’ do Ministério do Trabalho. O delator do Mensalão indica a filha. Temer aceita. Como nada é tão ruim que não possa piorar, descobre-se que a futura ministra é alvo de duas ações trabalhistas. Uma foi dissolvida por um acordo. Outra ainda corre em grau de recurso. Nesse sábado, novo escândalo. O dinheiro que vai para o acordo que encerrou o primeiro processo não sai da conta dela, mas de uma assessora de seu gabinete na Câmara. Será esse o fundo do poço? Ou a história de Cristiane  é como a da política no Brasil do (des)governo: um poço sem fundo de corrupção, polêmicas e escândalos?

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