Um Estado que mata


| Tempo de leitura: 3 min
Única arma que temos contra os assassinos de João Victor e seus comparsas é o voto
Se o Estado não é capaz de defender seus cidadãos, ele se torna responsável pelas mazelas que os acometem. Entre as obrigações constitucionais do Estado está a garantia da segurança a seu povo. Garantia esta que parece estar cada vez mais distante da realidade dos brasileiros. Vivemos trancafiados, presos, em verdadeiras fortalezas em que fomos obrigados a transformar nossos lares. Andar na rua despreocupadamente tornou-se nostalgia. Nem mesmo o fato de estarmos “protegidos” dentro de nossos veículos é certeza de segurança.
 
Ao contrário. O quarto dia deste 2018 amanheceu em Franca sob a sombra de um crime bárbaro que ceifou a vida de um jovem estudante de educação física. O universitário João Victor de Barcelos Bico, morador do Leporace, como todo rapaz de 19 anos - sua idade -, tinha planos profissionais, tinha planos amorosos, tinha planos de vida. Estava com a namorada dentro de seu VW Gol em uma via do Villagio Novo Mundo, por volta das 23h45 de quarta, 3, quando um bandido armado bateu no vidro do carro. Escondido sob um boné e um óculos de sol espelhado - como narrou a jovem sobrevivente à Difusora -, o marginal exigiu que o casal saísse do carro. Ato contínuo, atirou na cabeça de João Victor. Fugiu com um comparsa, que apareceu em seguida, no veículo do universitário. “Gritei, pedi socorro”, lembrou-se a namorada. O socorro chegou, mas horas depois, acabaram-se os planos. Terminava de forma estúpida, absurda, a história - ainda no começo - de um rapaz que começava a concretizar sonhos e almejar muitos outros.
 
João Victor é vítima de dois bandidos covardes, que logo em seguida abandonaram o carro roubado. João Victor é vítima de um Estado inerte, que assiste à escalada da violência sem nada fazer. O Legislativo Federal - a quem cabe propor e votar leis mais duras contra os bandidos - ocupa-se quase que exclusivamente, nos últimos anos, a se defender de acusações de corrupção ou a arquitetar acordos escusos para salvar seus pares. No Executivo, o deprimente cenário se repete. Talvez porque os dois poderes estejam corrompidos pela presença de bandidos - até mais perigosos que os dois assassinos. 
 
Ao se abdicarem de sua função maior - que é legislar e governar pelo povo - para defender a seus próprios interesses espúrios, nossos políticos tornam-se coautores de crimes cruéis, como a morte de João Victor. A polícia - grande parte das vezes - faz sua parte, mas a legislação parece sempre estar a defender os bandidos. São urgentes leis mais modernas, leis mais rígidas. É urgente uma limpeza profunda no quadro político brasileiro. É urgente tirar os bandidos do Congresso, do Planalto, e lá colocar pessoas honestas e comprometidas a mudar este estado de coisas que trouxe nosso País a esta situação absurda de corrupção, a esta situação desesperadora de insegurança, a esta situação caótica de desesperança.
 
A única arma que temos contra os assassinos de João Victor e seus comparsas - os assassinos da Pátria - é nosso voto. Este ano de 2018, que começou sob a sombra da inoperância do Estado em Franca, é ano de eleições, é ano de mudarmos drasticamente o cenário político nacional. E, assim, voltarmos a sonhar com um país melhor. Sonhar - como o nome do bairro onde o crime aconteceu sugere - com um Novo Mundo.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários