Adoção no Brasil:ainda complicada


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PREFERêNCIA POR CRIANÇAS PEQUENAS FAZ JUSTIÇA BUSCAR ALTERNATIVAS
Mesmo diante da mudança da lei, a adoção no Brasil continua vivendo um momento bastante difícil: atualmente, o total de pais registrados no Cadastro Nacional de Adoção é oito vezes maior do que o número de crianças e adolescentes à espera de uma família. Ainda assim, muitos casais esperam anos até conseguirem adotar uma criança. De acordo com os dados divulgados pelo CNA, a maioria dos interessados em adotar busca uma criança que acabou de nascer ou então até cinco anos. Além disso, a restrição quanto à cor prejudica ainda mais o acolhimento. Por outro lado, os adolescentes praticamente não têm pretendentes. Em 2016, o Cadastro Nacional registrou 1.226 adoções de crianças e adolescentes no Brasil, apenas 13 tinham entre 15 e 17 anos. Como se pode observar, a idade é o principal limitador: 94% dos pretendentes aceitam apenas crianças de até 7 anos, mas elas representam só 10% das que estão na fila. Porém, de acordo com especialistas, não basta encorajar os pais a adotarem crianças mais velhas. Também é preciso acelerar os processos judiciais, pois há pais que aguardam até uma década para conseguirem levar o sonhado filho para casa.
 
Para conseguir uma criança dentro das especificações (as brancas, com até cinco anos de idade têm a preferência da maioria dos interessados), a demora acaba complicando a oficialização da adoção. Por outro lado, a grande maioria das crianças maiores, principalmente adolescentes (muitas vezes irmãos) permanecem internados nas instituições até atingirem a maioridade. Ao completarem 18 anos, têm que deixar os abrigos e procurar um lugar para morar. Por sorte, alguns destes estabelecimentos estão fechando parcerias com empresas públicas e privadas, conseguindo estágios e permitindo que estes jovens tenham emprego. Não houvesse um trabalho como esse, centenas de jovens seriam atirados na rua, sem qualquer condição de se manter. Há ainda os que restabelecem laços com os familiares e são acolhidos.
 
Todas essas dificuldades motivaram, no ano passado, a elaboração de uma lei federal, sancionada em novembro, que traz mudanças no cadastro nacional. Algumas das principais alterações são a redução de prazos e a preferência na lista para interessados em adotar irmãos e crianças com deficiência ou doença crônica. Além disso, Juizados da Infância e da Juventude iniciaram campanhas pela Internet buscando ampliar o número de interessados na adoção de crianças e adolescentes acima dos sete anos de idade, com bons resultados. O número de interessados em crianças maiores tem crescido. Tudo isso sendo feito para que os dois pratos da balança (de adotantes e adotados) se equilibrem.
 

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