No último domingo, dia 24, Rua Capitão Anselmo, no bairro Cidade Nova, foi tomada por fiéis. Muitos acabaram assistindo a missa de Natal da calçada em frente à Igreja Santo Antônio, uma vez que o interior e o pátio da igreja já estavam tomados por mais de 800 pessoas.
A cena tem se repetido mesmo em dias não festivos. Desde outubro do ano passado, o número de fiéis presentes nas celebrações da Santo Antônio não para de crescer.
Responsável pela paróquia, o padre José Geraldo Segantin é quem tem conseguido atrair os fiéis junto com sua equipe que costuma animar as celebrações com apresentações musicais antes e durante as missas.
O padre é um dos mais conhecidos da região de Franca. Por 25 anos, comandou a Catedral. Protagonizou episódios que marcaram a história como a briga com a Acif (Associação do Comércio e da Indústria de Franca) anos atrás por conta da abertura das lojas em feriados religiosos. Zé Geraldo, como é chamado pelos fiéis, sempre foi contra. “Hoje aprendi a ser menos duro. Estou um pouco mais compreensivo, mas contínuo rígido”, brincou ele, ao relembrar o caso.
Zé Geraldo conversou com o Comércio na tarde da última quinta-feira em seu escritório na igreja. Ele falou sobre a saída da Catedral, sobre a possibilidade de se tornar bispo e também sobre sua satisfação em poder estar novamente mais próximo da comunidade. “Voltei a sorrir”, disse.
No próximo dia 29 de janeiro, sua saída do comando da Catedral completará um ano. Foram 25 anos de serviços prestados àquela comunidade. Como foi mudar de paróquia depois de tanto tempo no mesmo local?
Como padres, somos preparados para estarmos cada hora em um lugar. Faz parte da nossa formação a compreensão de que nosso serviço será prestado onde for necessário. Então, quando recebi a notícia de que iria mudar de paróquia, foi natural. Não fiquei triste. Claro que a gente fica um pouco doído por conta de deixar as pessoas com quem criamos um vínculo. Durante o tempo em que estive à frente da Catedral, batizei, casei os pais e depois ainda batizei e casei os filhos do casal. Acompanhei muito de perto muitas famílias. E claro que senti quando tive de mudar. Mas aqui na Santo Antônio fui muito bem recebido por todos. A comunidade católica aqui é uma verdadeira família. Estou muito feliz. Não senti vergonha ou incômodo por deixar a Catedral para vir para uma paróquia menor. Não teve isso.
E qual o balanço que o senhor faz deste quase um ano no comando da Paróquia Santo Antônio?
Quando vim para cá, eu estava vivendo um momento muito delicado. Minha mãe havia falecido depois de anos de luta pela vida. Estava bem abatido. Mas poder sentir de novo o calor do povo, estar próximo da comunidade me fez muito bem. Sou muito grato a todos. Visitar e conhecer os fiéis, ouvir suas histórias e poder contribuir para a vida dessas famílias trouxe de volta minha felicidade. Hoje tenho certeza de que meu lugar realmente é perto da comunidade. Me sinto bem sendo útil. Este primeiro ano aqui na Santo Antônio foi, então, um ano de descoberta e conhecimento. Fiz questão de conhecer todas as pastorais e de visitar os fiéis. Também foi um ano de adaptação tanto minha como da comunidade para comigo. Mas estou feliz com o trabalho realizado e cheio de planos.
Uma das mudanças que já são perceptíveis desde sua chegada à Santo Antônio é o aumento da presença de fiéis nas missas e celebrações. A que fatores o senhor atribui esse interesse da comunidade?
Fico muito comovido de ver a igreja lotada. Primeiro é preciso deixar claro que a comunidade aqui da igreja é muito devota. Sempre comparece e participa. Mas, de fato, temos percebido um aumento no número de fiéis. Até tivemos que montar uma tenda aqui no pátio de entrada da igreja e colocar um telão para que todos consigam acompanhar. No domingo de Natal, nem isso foi suficiente. Havia dezenas de pessoas que ficaram na calçada. Acho que esse interesse está muito relacionado ao trabalho da minha equipe de apoio, principalmente dos músicos e cantores, que se apresentam antes e durante as celebrações. Outro ponto é que tenho me empenhado muito nas homilias para que elas sejam mais curtas e diretas, que tratem dos problemas do cotidiano. As pessoas acabam se identificando e se envolvendo. E, claro, que a divulgação do meu trabalho através da Rádio Difusora que transmite as celebrações às 7 horas também ajudou muito. As pessoas vêm até de outros municípios para acompanhar a missa.
Depois de 25 anos na direção da Catedral, muitos acreditavam que o senhor se tornaria bispo. O senhor tem essa vontade? Se fosse convidado, aceitaria?
Como disse antes, me realizo trabalhando diretamente com a comunidade. Me sinto mais leve, mais animado, mais feliz. Meu lugar é com o povo. Talvez essa tenha sido minha maior descoberta no ano que passou. Finalmente pude voltar a trabalhar na comunidade. Estar mais próximo das pessoas. Isso é o que quero fazer, isso é como quero viver. Para se tornar bispo, o padre precisa ser indicado, ter seu currículo avaliado e, então, recebe um convite do Vaticano. Hoje, com tranquilidade eu afirmo que, se recebesse esse convite, minha resposta seria não. Tive uma experiência parecida com a de um bispo quando fui administrador diocesano e, de fato, não é um trabalho que me agrada. É uma ação mais burocrática, administrativa. Prefiro me sentir mais útil.
E para o ano que se inicia, quais são as metas?
Nosso principal objetivo, para o qual espero contar com a ajuda de todos, é a reforma e ampliação do prédio da igreja. O prédio está pequeno, precisa ser ampliado para que possamos receber a todos com conforto. É uma obra grande e necessária. Nosso grande sonho atualmente. Também estamos estudando a implantação de algumas novidades como o curso de batismo para os pais e padrinhos em domicílio. Atualmente, os pais e padrinhos precisam se deslocar até a igreja para fazer o curso. Agora estamos formando casais de orientação que visitarão os interessados e darão o curso na casa deles, de forma mais prática, rápida e individualizada. Tem muita coisa boa que estamos planejando.
No final de novembro, o senhor lançou seu quarto CD musical. Como estão as vendas? E pretende lançar novos CDs o ano que vem?
Todos os que me conhecem sabem o quanto adoro cantar. Meus amigos mais próximos sabem desta minha paixão. Os CDs, na verdade, surgiram da iniciativa destes amigos queridos. Sem eles e o patrocínio que conseguem, não haveria CDs. Todos os discos têm a renda de suas vendas revertidas para alguma instituição da cidade. Neste último, foram 2 mil cópias. Metade já vendemos em menos de duas semanas e os recursos serão usados aqui pela igreja. A outra metade doamos para o Iansa (Instituto de Apoio Nossa Senhora Aparecida), que ajuda familiares e pacientes em tratamento de câncer. Eles ainda não venderam todos e trouxemos alguns CDs para cá e as vendas estão indo bem. Acho que até a primeira semana de janeiro, já teremos vendido todos. Recebi o convite para gravar um próximo, mas ainda estou estudando. Acredito que será possível sim, mas dependemos do patrocínio que ainda não está fechado.
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