A velha questão do desemprego


| Tempo de leitura: 2 min
Embora no decorrer da semana se tenha comemorado, o certo é que fechamos o ano sem que a propalada retomada do emprego está longe de ocorrer. Os números da economia começam a reagir, com ligeiro crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e queda da inflação abaixo da meta, mas o mercado de trabalho mostra estagnação, ainda mais quando se constata que o número de empregados com carteira assinada atingiu, em novembro, o menor nível dos últimos cinco anos, mesmo apresentando alta em relação ao trimestre encerrado em agosto. O problema é que um grande número de desempregados viu no mercado informal (sem carteira assinada) a saída para cumprir os seus compromissos e se sustentar.
 
De acordo com a Pnad Contínua do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada na última sexta-feira, a taxa de desemprego no país no trimestre encerrado em novembro caiu para 12%. O indicador veio abaixo do registrado no trimestre anterior, encerrado em agosto, quando a taxa esteve em 12,6%. Com isso, a população desocupada encerrou novembro em 12,6 milhões de pessoas, queda de 4,1% (ou 543 mil pessoas a menos). Embora tenha melhorado em relação ao trimestre encerrado em agosto, a taxa está acima da registrada no mesmo período do ano passado, quando o percentual ficou em 11,9%. Pelos dados da Pnad Contínua, a população ocupada no país encerrou novembro em 91,9 milhões de pessoas. O dado, que inclui vagas com e sem carteira assinada, teve alta de 1% em relação ao trimestre encerrado em agosto. No total, 887 mil novas pessoas encontraram um trabalho em novembro. De acordo com o IBGE, a alta ocorreu, principalmente, devido às contratações de final de ano do comércio e também pelo contínuo aumento da informalidade. 
 
O trabalho sem carteira assinada cresceu 3,8% no período. Ao todo, 411 mil pessoas passaram ao emprego sem carteira no trimestre encerrado em novembro, totalizando 11,2 milhões de brasileiros nessa condição. O trabalho por conta própria teve alta de 0,8%, com 193 mil novas pessoas nessa condição — um contingente que totalizou 23 milhões de pessoas. Como se pode ver, o desemprego segue em queda devido ao aumento da geração de vagas informais, sem a proteção e os benefícios da lei trabalhista. Desde abril de 2015, quando a formalização começou a cair, cerca de 3 milhões de postos com carteira foram perdidos. Um terceiro tipo de emprego que cresceu em razão da crise foi o trabalho doméstico, que atingiu o maior nível da série iniciada em 2012. Eram 6,3 milhões de pessoas no trimestre encerrado em novembro. Ainda hoje, segundo o IBGE, dois terços dos trabalhadores domésticos não têm carteira assinada. Como se pode ver, a plena retomada do emprego ainda deve demorar.
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários