Tempestade deixa saldo de prejuízos em Franca


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Muro de arrimo caiu em casa no Jardim Palma e deixou um rastro de prejuízos aos moradores
Muro de arrimo caiu em casa no Jardim Palma e deixou um rastro de prejuízos aos moradores
A forte chuva que caiu em Franca na tarde da última quinta-feira, 28, deixou um rastro de estragos e muito trabalho para o dia seguinte. No total, mais de 40 árvores caíram em vários pontos da cidade danificando imóveis, muros e veículos. Muitas residências também ficaram sem energia elétrica e, em alguns casos, o fornecimento realizado pela CPFL foi regularizado apenas 24 horas depois. 
 
No Jardim Palma, mais precisamente na rua Rita de Paula Pinto, ao menos cinco casas foram invadidas pela água e barro. Duas delas foram interditadas pela Defesa Civil e, ontem, os proprietários contabilizavam os prejuízos. “Ouvi apenas um estrondo muito forte e a água invadiu a minha casa após o muro ceder com a força da água. A chuva mal havia começado e tudo se tornou um rio de barro. Infelizmente perdemos muita coisa e não temos para onde ir”, disse a dona de casa Kelly Cristina Souza, que mora em uma das residências interditadas com o marido e as três filhas. 
 
Na casa ao lado, a pensionista Maura Sousa Nascimento, 60, foi outra a se assustar com o poder da chuva. “É comum a água invadir as casas por aqui, pois não existem bocas de lobo suficientes para o escoamento, mas me assustei. A água atingiu mais de meio metro de altura e perdi muitas coisas. Não tenho condições de sair da minha casa, onde moro há mais de 20 anos, e não sei o que fazer. Precisamos de ajuda para solucionar esse problema”, disse. 
 
Nas avenidas Dr. Alonso y Alonso e Hélio Palermo, os estragos provocados pelo transbordamento dos córregos Cubatão e dos Bagres ainda podiam ser vistos ontem. Em vários pontos, o asfalto cedeu e peças de carros, além de muitas folhas e mato, estavam espalhados pelas vias.
 
As unidades I e II do Centro Universitário Uni-Facef, nas proximidades do viaduto Dona Quita, também foram invadidas pela água e barro. Ontem, mesmo de recesso, os funcionários do setor de limpeza foram acionados para limpar os locais. 
 
Sem energia
 
Novamente a queda de energia foi motivo de reclamações de moradores. Nos Pinhais, a energia acabou por volta das 16 horas da quinta, 28, e voltou apenas na sexta, 29, mais de 24 horas depois. “Desde ontem (quinta-feira), após o temporal estamos sem energia. Mesmo após inúmeras ligações para CPFL, não tivemos retorno. É um descaso, lá moram idosos, bebês, assim como em todos os lugares”, disse a moradora Anelisa Nelinho, pouco antes da energia ser restabelecida. 
 
Em nota, a CPFL informou que situação estava “normalizada, restando apenas algumas ocorrências pontuais que estão sendo solucionadas”.
 
 
Estrago no Relógio do Sol comove
 
Durante a chuva de quinta-feira, 28, uma árvore caiu sobre o Relógio do Sol, localizado na praça Nossa Senhora da Conceição, a praça da Matriz, e o destruiu. 
 
O acidente provocou forte comoção nas redes sociais. Centenas de pessoas postaram fotos e comentários lamentando o ocorrido e pedindo por reparos.
 
Todas as peças danificadas foram recolhidas e guardadas para posterior conserto e recolocação no seu local de origem. Por tratar-se de um patrimônio tombado, o restauro, que deve respeitar todas as peculiaridades da peça, deve ser acompanhado pelo Comdephat (Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico). 
 
Construído em 1886 pelo Frei Germano D’ Annecy em sua passagem pela cidade, o Relógio do Sol é o único vertical existente no Brasil. Muitos acreditavam que havia exemplar idêntico na cidade francesa de Annecy, onde o Frei francês, que era também astrônomo, físico e botânico, nasceu. Mas não é verdade. Existe um outro relógio do Sol em Annecy, mas é muito diferente - e não foi construído por Germano.
 
O relógio destruído podia fornecer inúmeras informações relativas à medida do tempo, das estações do ano, etc. Uma das mais antigas construções de Franca, o monumento é usado em pesquisas escolares e dados históricos da cidade.

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