Salário mínimo é mesmo mínimo


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Mais uma vez, as classes menos favorecidas continuam sendo prejudicadas e negligenciadas por aqueles que foram eleitos para dirigir os destinos do País. A dois dias da chegada de um novo ano, veio a triste notícia: o salário mínimo em 2018 será de R$ 954, conforme decreto assinado ontem pelo presidente Michel Temer. O valor divulgado é R$ 11 menor do que o previsto inicialmente no orçamento de 2018, aprovado no Congresso no valor de R$ 965. O reajuste de 1,81% segue a previsão do INPC (Índice de Preços ao Consumidor. Já os integrantes dos Poderes Judiciário, Executivo e Legislativo, servidores e políticos eleitos, em que pese os altos salários que recebem, sempre são contemplados com reajustes acima do índice oficial de inflação, além de agregarem penduricalhos que chegam a quadruplicar o salário original.
 
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2016, 44,5 milhões de brasileiros receberam em média R$ 747 por mês, menos que o salário mínimo. Enquanto isso, as 889 mil pessoas mais bem remuneradas do país receberam, em média, R$ 27 mil por mês. Quer dizer, apenas 1% ganha 36 vezes mais do que a metade do que trabalhadores, aposentados e pensionistas recebem em média. A diferença fica evidente quando descobrimos que os 10% mais ricos ficam com 43% de todos os ganhos. O índice de Gini, usado para medir a desigualdade, ficou em 0,525. Quanto mais perto de um, pior a situação. A Região Nordeste é a mais desigual. No Sul e no Centro-Oeste, a diferença entre ricos e pobres é menor. 
 
Os técnicos do instituto dizem que as pesquisas são feitas apenas com residências particulares permanentes. Caso barracos fossem levados em conta, a desigualdade poderia ser ainda maior. O IBGE ainda apurou que das 40 milhões de crianças com idades entre 5 anos e 17 anos, 1,8 milhão trabalham. Mais da metade, quase um milhão, de forma irregular. Por lei, crianças entre 5 e 13 anos não podem trabalhar. Mas 190 mil meninos e meninas nessa idade trocaram as brincadeiras por alguma ocupação. Além disso, 800 mil adolescentes não têm registro em carteira. O Brasil assumiu o compromisso de erradicar o trabalho infantil até 2025, mas os números mostram que o desafio ainda é grande.
 
Enquanto existirem estas distorções, com certeza ainda veremos milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza, em miséria extrema. Como se percebe, não há interesse em mudar este quadro. O Congresso Nacional, que sempre se dobra com o lobby de bancadas estruturadas por setores, como a bancada ruralista ou a evangélica, não conta com uma bancada realmente cívica que se une para defender os interesses dos menos favorecidos. Se continuar assim, dificilmente o salário mínimo conseguirá suprir as necessidades daqueles que dependem dele.
 
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