A companhia francesa Engie assume hoje o comando da usina Jaguara, localizada entre Rifaina e Sacramento (MG). A hidrelétrica foi arrematada em leilão promovido pelo governo federal, em setembro, e vinha sendo operada em conjunto com a Cemig. A troca na gestão, segundo os responsáveis, não trará mudanças para o consumidor final, mas é vista com alívio pelos donos de ranchos construídos nas margens do Rio Grande.
A usina de Jaguara era operada pela Cemig, que é a responsável pela maior parte das ações que pleiteiam na Justiça a reintegração de áreas ocupadas pelos ranchos. As ações já culminaram com a derrubada de quatro propriedades este ano no lado mineiro da fronteira.
A Cemig havia firmado acordo com o Ministério Público Federal se comprometendo a retomar as áreas ocupadas de maneira irregular pelos ranchos, sob pena de ser multada e processada. Por isto, estava empenhada em acionar os donos de ranchos na Justiça. Em recente entrevista ao Comércio, o advogado Fábio Roberto Cruz, que representa os rancheiros, disse que, com a troca no comando da usina, iria pedir a extinção dos processos em andamento, pois a Cemig não é mais parte legítima. “A nova concessionária não tem acordo nenhum com o MPF. Por isto, avaliamos que a mudança no comando vai dar fôlego, sobrevida aos donos de ranchos”.
A Engie informou que antes de tomar qualquer decisão fará uma avaliação criteriosa de toda a área de preservação permanente e de todas as ocupações existentes nas margens do Rio Grande. “Em seguida, decidiremos a melhor maneira de atuar para cumprir o que determina a legislação brasileira, a licença ambiental da usina e o contrato de concessão, conciliando os anseios da população com a proteção ao meio ambiente e promovendo o uso sustentável do entorno dos reservatórios”.
O gerente da Regional Minas Gerais da concessionária, Rogério Suematsu, destacou a inserção da empresa na região a partir desta sexta-feira. “Queremos ser parceiros do desenvolvimento sustentável das comunidades vizinhas, que nos receberam da melhor maneira desde a operação compartilhada”.
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