A política brasileira sempre foi pródiga de figuras bastante exóticas, para não dizer folclóricas. Em meados do século passado, Adhemar de Barros, político influente (foi governador de São Paulo e candidato à presidência da República), era chamado de “rouba, mas faz”, epíteto que acompanhou outro político paulista nas últimas quatro décadas, Paulo Maluf (ex-governador de São Paulo, ex-prefeito da capital e deputado federal por vários mandatos). O primeiro teve que se exilar para não ser preso pela ditadura militar que tinha apoiado. O segundo está preso, condenado por desvio de dinheiro de obras públicas. Além dele tivemos o ex-deputado baiano João Alves (que morreu em 2004), que deputado federal de 1963 até 1994. Era o líder dos anões do orçamento. No Congresso, apresentou uma justificativa antológica para a fortuna que tinha acumulado: alegou que tinha muita sorte e ganhara dezenas de vezes na loteria. Renunciou ao mandato de deputado antes, escapando da cassação e da perda dos direitos políticos.
Hoje, temos o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva que garante não serem seus os bens que usufruía (entre eles um sítio em Atibaia) e condenado a mais de 9 anos de prisão. Além dele, o ex-deputado Eduardo Cunha (RJ) que dizia não ser dono de uma fortuna depositada em seu nome na Suíça e da qual dispunha em viagens nababescas. Ou então o ex-deputado e ex-ministro (de Lula e Temer) Geddel Vieira Lima (BA) que escondeu mais de R$ 53 milhões em dinheiro vivo e que só quer saber quem o denunciou, sem explicar as origens da fortuna. Os exemplos abundam e há vários outros que atravessaram os anos enriquecendo às custas do dinheiro do contribuinte que não vê seus impostos, taxas e tarifas transformados em benefícios nas áreas que mais precisa, como saúde e educação.
Atualmente, é de estarrecer o que ainda se faz na administração pública brasileira. A última “pérola” partiu do ministro Carlos Marun, recentemente empossado na Secretaria de Governo de Michel Temer. Ele admitiu ontem que o Palácio do Planalto está pressionando os governadores e prefeitos a trabalhar a favor da aprovação da reforma da Previdência em troca da liberação de recursos do governo federal e financiamentos de bancos públicos, como a Caixa. Marun, conhecido como ‘tanque’ por sua forma truculenta de fazer política, negou que esteja promovendo “chantagem” com governadores e prefeitos e destacou que os financiamentos da Caixa “são ações de governo”. É muita desfaçatez e cara de pau para com toda a população brasileira. Ainda bem que 2018 está chegando e, com ele, eleições majoritárias, que nos dará a chance de eliminar da vida pública nomes como o de Carlos Marun. O Brasil não merece ver pessoas como ele participando da vida política do País.
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