'Não é o dinheiro que faz a caridade, mas a ação'


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 Rosinha, como é mais conhecida, começou a praticar o voluntariado após uma tragédia pessoal
Rosinha, como é mais conhecida, começou a praticar o voluntariado após uma tragédia pessoal
O sorriso no rosto e um olhar acolhedor são marcas registradas de Rosa Aparecida de Pádua Aylon. No Berçário Dona Nina há 25 anos e diretora há 20 anos da instituição, que funciona 24 horas como um minihospital que atende em média 35 crianças vítimas de anemia, desnutrição e outras doenças, Rosinha, como é mais conhecida, começou a praticar o voluntariado após uma tragédia pessoal. O filho Fernando, ainda bebê, morreu após sofrer choque anafilático causado por um medicamento. Com a perda, que aconteceu em 1982, ela intensificou os trabalhos voluntários que praticava há alguns anos e decidiu transformar as lágrimas que derramava em ajuda para aqueles que precisavam. “Foi um momento complicado para mim e minha família. Transformei esse sofrimento, tentando ajudar especialmente aquelas mães que precisavam. O bem que fazemos é aquele que vamos levar.”
 
Natural de Pratápolis (MG), Rosinha veio para Franca com os pais quando tinha apenas 8 anos. Foi dos pais, o delegado Elídio Silveira Pádua e a dona de casa Domingas Vasconcelos Pádua, que ela afirmar ter recebido o exemplo da importância que é ajudar os próximos. “Meus pais deixou em mim e em meus irmãos um grande legado de solidariedade. Minha mãe costumava dizer que não podíamos deixar ninguém sair de mãos abanando da nossa casa e seguimos esse ensinamento. Tínhamos pouco, mas dividimos ele.”
 
Além do trabalho voluntário realizado no Berçário Dona Nina, a nossa entrevistada deste domingo, 24, véspera de Natal, Rosinha ainda distribui sopa para famílias carentes no Jardim Aviação; coordena oficinas de bordado; faz atendimentos fraternos, nos quais dá conselhos e orientações; dá passes espíritas; realiza casamentos e, há 4 anos, junto com o marido Leonel Aylon e os amigos Adriane Micheletti, Agenor Gado, Daniela Honório, Adê Dutra e Bete Salloum, oferece o Almoço do Bem. 
 
Criada com o objetivo de oferecer uma grande festa para os menos favorecidos, a ação, que conta com almoço farto, show musical e presentes para adultos e crianças, será realizada neste ano neste domingo, 24, com o auxílio de 200 voluntários
 
No clima de Natal e solidariedade, Rosinha fala um pouco da sua história com o voluntariado, as dificuldades em manter o Berçário Dona Nina e a importância de fazer o bem ao próximo. 
 
Quando começou sua história com o voluntariado?
Meus pais sempre me ensinaram que é importante praticar o bem ao próximo. Por isso, sempre realizamos pequenas atividades voluntárias. Quando perdi o meu filho Fernando, passei momentos de muito sofrimento, mas percebi que a minha dor não era única e ainda podia ajudar a aliviar as dores de muitas pessoas, especialmente das mães. Amar o semelhante é maravilhoso e o bem que fazemos é o que vamos levar. É sempre gratificante poder oferecer uma palavra em um momento de acolhimento, comida para quem tem fome e uma roupa para quem passa frio. Não me custa nada ajudar, além do meu tempo e dedicação. Não é um trabalho fácil, muitas vezes deixamos de dormir, de estar com nossos familiares por mais tempo, mas o bem que praticamos não tem preço.
 
Como nasceu a oportunidade de trabalhar no Berçário Dona Nina?
Fui convidada e comecei a trabalhar para o desenvolvimento do berçário, que nem era muito conhecido na época. Há 20 anos estou na direção e conseguimos evoluir muito com a ajuda de todos. Isso é uma coisa muito importante de se falar, a verba que recebemos para manter o atendimento do espaço não cobre grande parte dos custos, por isso fazemos campanhas e promoções que nos ajudam a manter as portas abertas. O povo francano é muito solidário e isso é maravilhoso, tenho o orgulho de dizer que nunca recebi um “não” quando precisei e busquei ajuda. 

Além do Berçário Dona Nina a senhora realiza quais trabalhos voluntários?
Participo da distribuição de sopa em uma casa no Jardim Aviação há algum tempo. Além disso, quando posso coloco a mão na massa ajudando em ações da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e também do Iansa (Instituto de Apoio Nossa Senhora Aparecida). Agora, há quatro anos, junto com alguns amigos criamos o Almoço do Bem, que é uma ação que muito me orgulha. Costumamos dizer que trata-se de uma ação silenciosa de todos aqueles que, de alguma maneira, se compadecem com os menos favorecidos e que foram contemplados ao longo da vida com alegrias e sucessos pessoais e profissionais.
 
Falando do Almoço do Bem, que neste ano chega à sua 4ª edição, como nasceu essa iniciativa?
Fui procurada por uma amiga que queria fazer alguma coisa neste período, que naturalmente as pessoas realmente se compadecem mais do próximo e se tornam mais solidárias. Juntos realizamos o primeiro almoço com 800 pessoas. No ano seguinte, a iniciativa cresceu e atendemos 1,3 mil pessoas, mas foi no ano passado, quando atendemos 2,7 mil pessoas, além de dar marmitas, panetones e brinquedos para mais 500 pessoas que ficaram do lado de fora do Castelinho, foi que alcançamos o ápice. O problema é que não tinha como abrigarmos todas aquelas pessoas e neste ano participarão do almoço 1,5 mil pessoas, todas com convites apenas. 
 
Conte-nos um pouco mais do que é o Almoço do Bem.
Os convidados são moradores de rua, de albergues, da periferia e de lares assistenciais, pessoas e famílias carentes atendidas por instituições da cidade que nunca tiveram acesso a uma verdadeira ceia de Natal. Recebemos os convidados com um lindo Coral de Natal, eles são servidos por uma equipe, como um restaurante mesmo, recebem panetones e as crianças brinquedos. Queremos oferecer para essas pessoas uma verdadeira experiência de Natal. Cada um dos que participam nos ensinam algo com sua história de vida, com seus sorrisos, com a alegria em participar de algo tão bonito. Neste ano, a festa será realizada no Green Hall e terá a participação de aproximadamente 200 voluntários e quem quiser ajudar ainda pode. Os interessados em ajudar, tanto com o serviço como com dinheiro, podem nos procurar no próprio local, pois chegaremos cedinho para deixar tudo pronto para a festa que começa às 12 horas. Para cada convidado pagamos cerca de R$ 30, o que resulta em um orçamento de mais de R$ 40 mil. Por isso, se as pessoas puderem ajudar apenas adotando um convidado já ajudará bastante. Os telefones para contato são o da Adriane Micheletti (98251-0063), Agenor Gado (99290-0180), Leonel Aylon (999697-4557) e o meu Rosinha Aylon (99969-4898). 
 
A senhora é adepta da Doutrina Espírita, inclusive realiza passes e até celebra casamentos. É possível afirmar que o voluntariado é mais presente na vida dos espíritas?
A doutrina está em tudo na minha vida, apesar de meus pais terem sido católicos, sempre senti uma ligação com o espiritismo. Comecei a seguir há mais de 40 anos e me encontrei na doutrina. Não acredito que o fato de ser espírita seja o que determina a minha solidariedade e das outras pessoas. Aprendemos a fazer o bem e todos, independente de religião, devem seguir esse preceito. Por exemplo, tenho muitos amigos católicos que realizam ações assim como eu. No caso do Almoço do Bem, do qual já falamos, eu e meu marido somos os únicos espíritas, o que demonstra que ali estamos para realizar um ato de amor independente da doutrina. É fazer o bem mudando o outro ou sua realidade com amor. 
 
Deixe uma mensagem para quem quer ajudar e a importância do voluntariado, especialmente nesta época do ano.
Não é o dinheiro que faz a caridade, mas a ação. Cresci com pais que sempre se preocuparam com o próximo, meu marido tem a mesma ideologia e passamos isso para os nossos filhos. Não é preciso muito para ajudar e faz um bem danado. O bem maior que o ser humano tem é a sua ação. Como já disse, amar o semelhante é maravilhosos e o que fazemos de bem é o que levaremos dessa vida. Estamos aqui apenas de passagem, para evoluir e fazer o bem, independente de religião. Por isso, agora, amanhã, depois, em qualquer época do ano, sempre que puder, pense e realize ações que são boas que, com certeza, você receberá tudo de volta. 

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