'O puxa-puxa salvou a minha família da miséria'


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A doceira Nelly Müller Sanches, 75, na barraquinha próxima ao Magazine Luiza onde vende balas há mais de 40 anos
A doceira Nelly Müller Sanches, 75, na barraquinha próxima ao Magazine Luiza onde vende balas há mais de 40 anos
De uma vida difícil no Mato Grosso e depois em São Paulo, a doceira Nelly Müller Sanches, 75, usou seu talento com doces, mais precisamente com os pirulitos que aprendeu a fazer com a madrasta, para mudar a realidade da vida humilde que vivia com o marido e os seis filhos. “O puxa libertou a minha família da miséria depois de muitas dificuldades”, conta, emocionada.
 
Depois de ser enviada pelo pai para trabalhar em uma casa com um casal alemão em São Paulo e lá passar diversas dificuldades, a doceira, ainda adolescente, conheceu o futuro marido, João Sanches Del Rio - a quem perdeu há dois anos -, e anos depois se mudaria para a Terra do Calçado. “O meu falecido marido era natural de Franca e, quando o conheci, trabalhava em uma empresa de São Paulo para a qual trabalhei como vendedora. Nos apaixonamos e formamos uma família. Infelizmente ele ficou doente e optamos por nos mudar para Franca, ainda nos anos 1970, para ficar mais próximos à sua família e tentar melhorar de vida”, disse.
 
Já morando em Franca, e com seis filhos para sustentar, ela decidiu usar os ensinamentos da madrasta e fabricar os pirulitos e colocar os meninos para vender na porta das escolas, assim como havia feito quando era criança. “Meus filhos vendiam os pirulitos, mas as crianças pediam muito o puxa-puxa, coisa que nem sabia o que era. Pesquisei e com a ajuda de algumas pessoas comecei a fazer o doce. Foi um sucesso”, disse.
 
Com leite de coco, rapadura, chocolate e leite condensado, Nelly passou a fabricar, em média, 100 puxas-puxas por dia, que conquistaram o paladar francano e permitiram a ela e ao marido criar os filhos, construir a casa própria e passear. 
 
“Cheguei a pedir esmola para sustentar meus filhos e isso era muito triste. Meu marido não arrumava um trabalho fixo e a venda dos doces foi uma saída. Meus filhos saiam para vender, mas por diversas vezes eles acabaram sendo agredidos e roubados, foi quando pedi para a dona Luiza (Donato Trajano, fundadora do Magazine Luiza) deixar eles ficarem na marquise da loja para terem mais proteção enquanto eu circulava atrás de clientes. Ela permitiu e sempre nos apoiou demais. Sou extremamente grata por esta oportunidade”, disse ela. 
 
Hoje, após anos vendendo as balas que são comercializadas em um carrinho em frente à entrada principal do Magazine Luiza, Nelly fabrica as balas com o auxílio dos filhos e netos. “Não tenho mais forças para fazer as balas sozinhas, meus filhos, netos e bisnetos ajudam, inclusive experimentando o doce. Em alguns dias ainda vou até o carrinho, mas quem é responsável mesmo pela venda é minha bisneta Débora”, explica.
 
Segundo a doceira, é preciso muita dedicação e talento para fazer a bala. “Tentei ensinar para os meus filhos, mas é complicado fazer essa bala. Agora fabrico as balas duas vezes por semana, fazendo cerca de 300 puxas-puxas. Quero continuar fazendo até conseguir, pois sou muito grata a tudo que ela me proporcionou. Assim como sou grata por como Franca me recebeu. Sempre tive clientes fiéis que foram os responsáveis por tudo o que conquistei”, finaliza.
 
O carrinho de puxa-puxa, que hoje é cuidado pela bisneta, segundo a própria Nelly funciona todos os dias da semana, sempre após as 12 horas. 

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