As religiões espalhadas pelo nosso planeta preconizam, cada qual à sua maneira, várias condutas que praticadas pela criatura deixam o Criador bastante feliz. Há que se reconhecer, de maneira geral, que as diversas religiões acabam divergindo no varejo, ou seja, nos detalhes, mas convergem no atacado, naquilo que se pode considerar o essencial. Em síntese, as recomendações principais ao ser humano são basicamente as mesmas.
Certa vez ouvi algo bastante simples mas, a meu sentir, de uma concretude indiscutível, a de que a verdade religiosa é como um grande vaso que caiu e se espatifou em diversos pedaços. Vários pegaram partes do vaso, porém, sem conhecê-lo na sua inteireza, baseando-se apenas nas partes que pegaram, eles passaram a definir o todo.
O interessante é que ao longo da história da humanidade, os conflitos armados mais sanguinários decorreram (e infelizmente ainda decorrem), da vontade de um grupo de impor a sua verdade religiosa aos outros.
Assim, pretensamente em nome de Deus, já se matou mais que todas as epidemias vivenciadas em nosso planeta. Isso é algo paradoxal e inconcebível, especialmente quando se conclui que uma conduta da criatura que, seguramente, muito agrada o Criador, é o exercício da tolerância, a convivência harmoniosa daqueles que possuem posições diferentes.
Se pretendemos que o Criador tenha um olhar especial sobre cada um de nós, basta que não façamos ao nosso semelhante, o que não gostaríamos que fizessem para conosco. Ao deitar, para o repouso edificante, possamos ainda agradecê-Lo pelo dom da vida, pedindo perdão pelo que fizemos naquele dia que não deveria ter sido feito e, ainda, pelo que não fizemos e que deveria ter sido feito. Feliz Natal.
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca
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