Era noite de Natal,
E o Papai Noel começara a se vestir.
Escolheram-no a dedo.
O mais distante da família,
Assim ninguém o reconheceria.
Guilhermina olhava para os pés calçados.
Vestia um fino sapato de verniz,
E acreditava que aquilo lhe fazia feliz.
Tio Euclides usava um casaco antigo,
Com cheiro do avô falecido.
Prima Isabel olhava para os lados,
À procura de um futuro marido.
Tia Laura parou de beber,
Porque estava de dieta,
Porém à comida deu dia de festa.
Aos poucos todos foram se acomodando
E a animada Tia Lourdes puxou uma oração.
A meninada batia palma,
Como quem sentia grande emoção.
Isabel se levantou e ligou o som.
Ao tilintar dos copos e taças,
Casacos e sapatos se encontravam pelo chão.
Sorrisos se encostavam,
Vozes soltas se deslocavam.
A amizade ora estremecida
Era esquecida na última gaveta do porão.
E para quem não acreditava nas palavras
Vindas do coração.
O dia se assemelhou à vida,
Que começa sofrida e termina em devoção.
Era um dia de aprender
Com a criançada,
Que corria sem ter o que comer
E brincava sem ter o que beber.
Que se abraçava sem ter motivo,
E gritava amores ao infinito.
Para uns, princesa voltaria a ser plebeia.
Para outros, a vida é feita de sonhos,
Borboleta é anjo,
E o adormecer é um passo para a vida eterna.
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