A questão dos lucros bancários estratosféricos registrados no Brasil já deveria ter se transformado em política de governo. Nos últimos anos, quando o País se viu envolto numa crise sem precedentes, praticamente todos os setores da nossa economia sofreram altas perdas, não apenas no nível de produção, mas também no mercado de trabalho, que ainda hoje mantém mais de 13 milhões sem emprego e só vem se recuperando lentamente por causa do mercado informal — desempregados que recorrem a “bicos” como ambulantes e camelôs para cumprir com suas obrigações familiares. As grandes instituições bancárias, inclusive as públicas (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) continuam registrando altos lucros ao fim de cada ano.
Um estudo elaborado pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) confirma o que muita gente já vinha percebendo no bolso: os grandes bancos aumentaram suas tarifas bem acima da inflação nos últimos 12 meses. Em alguns casos, os reajustes chegaram a 78%, para uma inflação de menos de 3%. O período analisado vai de novembro de 2016 a outubro de 2017. O Idec comparou os valores cobrados por Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú Unibanco e Santander para 27 serviços avulsos, como saques, extratos e transferências. O Idec constatou que a Caixa e o Banco do Brasil realizaram os maiores aumentos nas tarifas avulsas no período. No BB, a tarifa para pagamento de contas na função crédito subiu 66,67%, de R$ 4,50 em 2016 para R$ 7,50 em 2017. Das 27 tarifas analisadas, a Caixa reajustou 23 delas nos últimos 12 meses em 14,56%, o equivalente a mais de cinco vezes a inflação do período (2,70%). O Santander aparece como o banco mais caro, apesar de ter promovido os menores aumentos de tarifas neste ano. Os 27
serviços da instituição totalizaram R$ 415,80, seguido pelo Itaú (R$ 393,45).
Um aumento de 78% para uma inflação de menos de 3% no ano é, sem dúvida, abusivo. É um índice muito elevado, especialmente se for considerado o fato de que não houve nenhuma melhora significativa no serviço, não foi agregado nada a mais no pacote. Além de ter que arcar com este tipo de aumento, o setor produtivo brasileiro se vê sufocado pelos altos juros cobrados pelos bancos para conceder crédito, aumentando ainda mais a estagnação. Ao mesmo tempo, enquanto não existe qualquer intenção de enquadrar os bancos no que diz respeito aos seus lucros, o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) apontou ontem para a possibilidade de aumentar ainda mais os impostos cobrados de quem trabalha e produz para cobrir o déficit público que só aumenta. É uma clara demonstração de que nada vai mudar neste País, onde se cobra exageradamente da maioria e se poupa uma minoria que só enriquece.
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