A grande notícia de ontem, além da prisão do ex-governador e deputado Paulo Maluf (PP), foi o resultado de uma pesquisa do Ibope encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), demonstrando um ligeiro crescimento da aprovação do governo do presidente Michel Temer (PMDB). A informação ganhou destaque não apenas nos jornalísticos da TV e sites noticiosos da internet, assim como nos órgãos de divulgação ligados ao governo federal, como a Agência Brasil. Nos bastidores do Planalto, a pesquisa foi encarada como positiva e vem sendo comemorada pelo presidente e aliados. Mas a fria leitura dos números mostra que a oscilação positiva pode ser creditada à chamada margem de erro, de 2%.
Vejamos: a avaliação negativa do governo Temer caiu de 77% para 74%, ante a última pesquisa, divulgada em setembro. De acordo com o levantamento, subiu de 16% para 19% a avaliação regular do governo e de 3% para 6% os que disseram que o governo é ótimo ou bom. Porém, os números da pesquisa anterior, divulgada em julho, ainda são superiores aos registrados agora. A pesquisa foi realizada entre 7 e 10 de dezembro, com 2 mil pessoas em 127 municípios. Como se pode ver, nada mudou muito, já que o brasileiro ainda não têm uma percepção clara de que o governo Temer conseguirá promover a retomada do crescimento perdido nos últimos cinco anos. Ainda vivemos uma crise e o governo, aliado ao Legislativo, não consegue fazer frente ao maior anseio dos 13 milhões de brasileiros hoje sem colocação no mercado de trabalho: a retomada do pleno emprego.
Não há brasileiro mais esclarecido que acredite na capacidade dos políticos que comandam os destinos do País consigam promover as mudanças necessárias para que voltemos a crescer em termos econômicos. Embora os números da inflação (que caem) e da atividade econômica (que sobem) apontem para uma recuperação, sabe-se que na realidade não é bem assim: continuamos sentindo no bolso o descontrole da economia, ainda mais que as reformas propostas pelo governo (trabalhista e previdenciária, esta ainda não aprovada) foram tão mexidas no Congresso que, na prática, não surtirão os efeitos almejados a princípio. E a série de “bondades” aprovadas pelo parlamento brasileiro, atendendo a interesses dos próprios congressistas, aumentam ainda mais o rombo das contas públicas. Só o setor produtivo é que vem sentindo o peso da conta que o País têm que pagar, ao mesmo tempo em que são mantidos os benefícios que elevam os vencimentos de um deputado a mais de R$ 130 mil por mês — a maioria dos brasileiros é obrigada a sobreviver
com míseros R$ 937,00. Se continuar assim, dificilmente Temer irá provar ao brasileiro de que promoverá as mudanças que o Brasil necessita.
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