Os assassinatos, ao lado dos acidentes de trânsito, são grandes tragédias nacionais, deixando vítimas ao longo ds ruas, estradas e cidades do Brasil. Morre-se bestamente no trânsito e mata-se gratuitamente em todos os recantos do País. No caso dos assassinatos, a questão não passa apenas pelo fortalecimento das forças de segurança, assim como os acidentes não vão sofrer uma regressão apenas por causa do endurecimento das leis de trânsito. No cerne das duas questões estão a banalização da violência, o profundo desprezo pelas leis e a sensação de impunidade, já que o Código Penal Brasileiro, septuagenário, permite que criminosos não cumpram a pena integral e, muitas vezes, deixem a delegacia pela porta da frente. Em nosso País, as leis são lenientes e não punem com rigor. Quem captura um animal silvestre é preso inapelavelmente, sem direito a fiança, enquanto quem mata pode se esconder por 24 horas e depois se apresentar, dar sua versão e sair tranquilo logo após, aguardando o julgamento em liberdade. Esta é a nossa lei.
O assassinato de uma jovem grávida no último domingo (cujo parto deveria ocorrer nesta segunda-feira) pelo próprio marido, na Bahia, é mais um dos inúmeros que ocorrem diariamente no Brasil. E o motivo fútil (ciúme) comprova o que vimos sempre falando por aqui: a vida humana a cada dia vale menos diante da banalização dos assassinatos frios. Mata-se por nada, a troco de um esbarrão, uma expressão carregada ou um gesto um pouco mais ríspido. Mata-se por causa de crença, gênero e raça. Uma pesquisa realizada pela equipe de reportagem do jornal O Globo mostra bem a dimensão do problema: a partir de dados oficiais, o jornal descobriu que há um assassinato a cada 10 minutos no Brasil! E que em apenas 15 anos foram assassinados 786 mil pessoas no país. É mais do que o dobro da população atual de Franca.
Até quando esta questão (não só dos assassinatos, mas também dos acidentes de trânsito) passará a ser tratada com maior cuidado e atenção? A angústia de quem sai de casa e não tem a certeza de que retornará devasta milhões de famílias brasileiras. A vida humana precisa voltar a ser valorizada e, ao mesmo tempo, preservada diante destes tempos loucos que estamos vivendo. Ninguém merece morrer em defesa de um par de tênis, um celular ou um notebook. Ninguém merece morrer por defender o seu patrimônio. Ninguém merece morrer atravessando uma rua, pilotando uma motocicleta ou viajando em um veículo, seja imprudente ou não. A vida tem que correr de forma natural: nascer, viver e morrer, os mais velhos antes dos mais jovens. A situação atual é grave e temos que exigir de nossas autoridades uma tomada de posição para que não continuemos sofrendo mais.
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