Livros contam como vivem crianças refugiadas


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Um barco cheio de pessoas sem coletes salva-vidas apavoradas diante de ondas revoltas. Um pai carregando o filho por trás de uma cerca de arame farpado. Centenas de pessoas muito magras e mal vestidas seguindo ao lado de uma linha de trem em fila indiana. Barracas onde várias crianças se abrigam da chuva, do frio, da noite.  Grades que impedem a caminhada.  Utensílios domésticos esparramados pelo chão, mães exaustas e por vezes desesperadas, pois nada têm a oferecer para seus filhos. Esse cenário muito triste que vemos na televisão  nos mostra o desafio vivido pelos refugiados.
 
Mas, o que são refugiados?
 
São pessoas que por medo de perseguição devida à sua raça, religião, nacionalidade, opinião política, ou por causa de conflitos e guerras, fogem de seu país e vão buscar refúgio (ou asilo) em outro. Elas não se sentem seguras no seu lugar de origem, porque os governos não lhes garantem proteção. A vida se torna muito difícil. Então elas partem. 
 
No momento, há vários grupos de refugiados no mundo. Os maiores são formados por sírios. A Síria vive debaixo de bombas e ataques desde que um grupo chamado Estado Islâmico declarou guerra ao governo de Al Bashar. É uma guerra civil, também chamada fratricida, ou seja, entre irmãos. Porque todos são sírios mas  estão brigando por causa de religião.
 
O tema dos refugiados tem tocado o coração dos artistas que vêm falando sobre eles em músicas, exposições, filmes, peças de teatro e... livros!
 
O brasileiro Tadeu Sarmento escreveu “O cometa é um sol que não deu certo” para contar a história de Emamuel, um menino que vive num campo de refugiados sírios no deserto da Jordânia, país  que faz fronteira com a Síria. Entre privações e obrigações, ele encontra lugar para sonhar na companhia de crianças de sua idade, como a  menina Ahmal, por quem sente grande ternura, sentimento que não entende bem. Pelo olhar de Emanuel, o leitor conhece o campo de Azrak, onde fome, frio, desconfortos e violências são constantes. Para ajudar a criança a entender este mundo hostil, o artista plástico Apo Fousek fez ilustrações interessantes e ricas em detalhes. O livro foi publicado pela Editora SM. É tão bom que ganhou um prêmio importante, chamado “Barco a Vapor”. O título do livro aproxima os cometas, astros sempre em trânsito, com os refugiados, também em constante movimento, até que as coisas  em seu país de origem melhorem e eles possam finalmente voltar. 
 
Mas há outros bons livros sobre o assunto, indicado para crianças. Veja nesta página.
 
 
Para onde vamos  
Nessa comovente história uma pequena menina nos conta sua viagem, uma jornada que compartilha com milhares e milhares de crianças e famílias que atravessam a fronteira com os Estados Unidos, vindas do México e da América Central. De Jairo Buitrago e Rafael Yockteng. 
Editora Pulo do Gato.
 
Um outro país para Azzi
A menina Azzi e seus pais correm perigo. E por isso precisam fugir às pressas, deixando para trás  casa, parentes, amigos, profissões e cultura. Ao embarcarem rumo a um lugar desconhecido levam  pouca bagagem e a esperança de uma vida mais segura. Um outro país para Azzi é  uma  história em quadrinhos, que  convida o leitor a imaginar o que é ser uma criança refugiada. Durante a história, Azzi – e o leitor também – vai se dando conta de que, apesar do sofrimento, é possível adaptar-se à nova terra, como o pé de feijão que ela planta e vê crescer. De Sara Gaarland. Editora Pulo do Gato
 
Imigração e emigração
Estas duas palavras - imigração e emigração- descrevem o movimento de pessoas em um país. A imigração é o movimento de entrada de estrangeiros de forma temporária ou permanente. A emigração é a saída.
 
O emigrante é geralmente levado a deixar seu país por falta de condições que lhe permitam vida digna. Ele acaba se tornando imigrante em  outro país no qual  deposita suas esperanças de melhoria de vida.
 
Mas existem outras motivações que podem levar um cidadão a se tornar emigrante, em seu país, e imigrante, no país de destino. Como os refugiados que abandonam sua terra devido a conflitos civis, ou por causa de perseguições raciais ou religiosas, ou ainda por causa de desastres  ambientais.
 
De qualquer forma o imigrante enfrenta muitas dificuldades para se estabelecer em um país de costumes diferentes dos seus e aprender uma nova  língua. Ele tem de enfrentar, muitas vezes, a xenofobia (preconceito de um povo contra estrangeiros), as restrições impostas pelas leis, o trabalho escravo (só a troco de comida e moradia) e o subemprego (trabalho com salários muito baixos). 
 
 
A viagem 
Inspirado em relatos reais de pessoas que foram forçadas a sair de sua terra natal e narrado pelo olhar de uma criança, esta história ultrapassa todas as fronteiras. Um sensível voo cheio de significados para o nosso tempo. Muitos são obrigados a deixar a terra onde nasceram e precisam refazer tudo em outros lugares, o que é bem triste. De Francesca Sanna. Editora V&R
 
A cruzada das crianças 
 Escrito, em forma de poema, por Bertold Brecht, escritor alemão, conta a história  de um grupo de crianças órfãs que fogem dos horrores provocados pela Segunda Guerra Mundial. Juntas, enfrentam dificuldades em busca de um lugar seguro onde se refugiar. O final é muito triste, mas nos convida a pensar na força e coragem que devem ser reunidas em momentos de muitos desafios. Na página 4 deste Clubinho  você pode encontrar um trecho do poema. 
 

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