Em dezembro de 1917, um grupo de amigos, a maioria descendentes de italianos que viviam em Franca por causa do cultivo do café, se reuniu e decidiu criar um time de futebol. O encontro, que tinha o simples objetivo de garantir momentos de diversão e maior aproximação das famílias, deu origem à uma das equipes amadoras mais tradicionais do Estado: o Palmeiras Futebol Clube. A data oficial de fundação foi adotada como sendo o dia 25, uma homenagem ao benemérito da equipe, Leonel Orsoloni, que realizava distribuição de remédios e alimentos para a população carente no dia de Natal. Um século se passou e a bola continua quicando no campo do simpático “Palmeirinhas” da rua Santos Pereira. O centenário foi comemorado na noite de ontem com um jantar de gala.
O Palmeirinhas não nasceu Palmeiras. Inicialmente, o time recebeu o nome de Palestra Itália, homenagem ao xará famoso da capital que já tinha muitos torcedores em Franca. O endereço onde a bola rolava também era outro, na Praça João Mendes. A denominação Palmeiras Futebol Clube foi adotada no começo da década de 40 por causa da Segunda Guerra Mundial. O governo brasileiro havia proibido que clubes ou entidades tivessem nomes com alusão aos países integrantes do eixo nazista, que era o caso da Itália.
Ainda na década de 40, o Palmeirinhas passou a integrar a categoria profissional e participou do primeiro campeonato oficial da Segunda Divisão de São Paulo, que era disputado pelos times do interior. Só as equipes da capital disputavam a primeira divisão. Chegou a medir forças e fazer o clássico local com a Francana. “A nossa época áurea foi na década de 70, quando o Palmeiras tinha um time muito forte na categoria de amadores, que era considerado um dos principais do Estado. O time ficou muito tempo invicto e revelou vários jogadores”, conta com saudades o presidente José Antônio Galvão Rosa.
Idolatrado até hoje pelos torcedores da Francana, o zagueiro Zé Mauro, que conquistou o acesso com a Veterana em 1977, foi formado nas divisões de base do Palmeirinhas. De lá, também saíram Brandãozinho, José Marcos Berteli, Guto e Valdocir, o “Doce”, que jogou no Cruzeiro e seleção mineira. “Na década de 40, o Palmeirinhas recebeu grande times de futebol. Quando foi inaugurada a iluminação do campo, o Flamengo jogou aqui. Também recebemos o São Paulo, Cruzeiro, o Palmeiras e até o Nacional de Montevidéu do Uruguai”.
O Palmeirinhas se afastou do futebol profissional em 1994, quando não conseguiu terminar a disputa do Campeonato da Terceira Divisão por conta de dívidas com a Federação Paulista. Desde então, passou a atuar em competições amadoras na região. Atualmente, mantêm apenas um time de master. O clube firmou convênios com escolinhas, que usam o estádio para ensinar futebol a jogadores que vão dos 5 aos 19 anos. O clube tem 103 associados, que usam as dependências da sede com 18 mil metros quadrados para jogar bocha, malha e carteado. O time de bocha representa Franca em competições pelo Estado e coleciona troféus. “Recuperamos e organizamos o clube. Digo com orgulho que o Palmeirinhas está com os impostos em dia e não deve nada para ninguém. O clube é uma coisa sagrada para mim. É como se fosse minha casa. O Palmeirinhas é um referência, um símbolo da cidade”, concluiu Galvão, que se despedirá da presidência dia 31. O cargo será ocupado por Pedro Antônio Barnabé.
A história do time será eternizada por meio do livro Centenário do Palmeiras FC - Um gigante adormecido, que está sendo escrito pelo delegado aposentado, Clésio Dante da Silveira. A publicação é prevista para fevereiro.
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