A situação do Estado do Rio de Janeiro, completamente quebrado por causa da imensa quadrilha de ladrões cujos integrantes se instalaram nas diversas instâncias do poder, é exemplar. Para se ter uma idéia da gravidade do problema, três ex-governadores (Sérgio Cabral, Anthony Garotinho e Rosinha Matheus) estão presos, assim como três ex-presidentes da Alerj (Assembleia Legislativa fluminense). A rapinagem não deu tréguas nos últimos anos, envolvendo órgãos públicos e empresas privadas nos desvios, principalmente em torno das obras da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Nada do que se fez no Estado em termos de obra pública passou incólume. E levou a resultados desastrosos: além da falência total do Estado, que não consegue cumprir compromissos nem com os próprios servidores, o desabamento de um trecho da ciclovia Tim Maia em abril, três meses após sua inauguração, mostra a o que realmente move o político brasileiro.
Quem acompanha o noticiário em revistas, jornais, rádio, TV e internet sabe que, no que diz respeito à Copa do Mundo, poucas arenas foram construídas sem desvio de dinheiro público para o bolso destes velhacos que se acostumaram a prometer sem medir a possibilidade de concretização, conseguindo assim se instalar nos palácios do poder (executivo ou legislativo) apenas para enriquecer a si e aos que os cercam. O chamado “legado da Copa” (obras de mobilidade programadas para a inauguração antes do torneio) foi mais um sorvedouro do dinheiro de nossos impostos. Várias capitais, ainda hoje, ainda não saíram do chão, embora tenham sido investidos milhões de reais dos cofres públicos. O mesmo acontece com o “legado da Olimpíada”, no Rio. Instalações que custaram milhões de reais, abandonadas, estão se deteriorando e não têm sido utilizadas. Trata-se do mais puro cinismo contra quem vive à mercê do crime organizado, não apenas o que emana das favelas, mas também das casas de governo.
E as casas para a população de menor poder aquisitivo? Multiplicam-se exemplos de obras paradas, casas prontas que se deterioram e projetos que, mesmo com financiamento público, nunca saíram do papel. E os hospitais e postos de saúde que foram construídos e abandonados, estando hoje servindo de esconderijo para marginais e viciados em drogas? O político brasileiro (há raras e honrosas exceções, mas a maioria é tudo farinha do mesmo saco) precisa tomar vergonha e fazer aquilo a que se propôs: governar ou legislar em favor de uma população sofrida, que trabalha mais de cinco meses no ano para arcar com a carga tributária sufocante de nosso País e não recebe em troca a prestação de serviços com um mínimo de qualidade. Já passou da hora de fazermos do Brasil uma Nação real e não um arremedo como somos hoje.
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