O ex-governador Anthony Garotinho (PR) decidiu iniciar um "jejum por tempo indeterminado" contra o que chama de "injustiças" praticadas contra ele. Ele pede ainda que seja ouvido por um representante do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para comunicar supostas irregularidades de juízes e promotores que atuaram em seu caso.
Preso há quase um mês, Garotinho repete o protesto que realizou em 2006 após denúncias de fraudes em sua pré-campanha à Presidência naquele ano.
Na carta, assinada nesta quinta-feira (14) e enviada à direção do presídio de Bangu 8, onde está detido, ele afirma que o protesto é um "grito de desespero contra a injustiça que venho sofrendo, abalando fortemente minha família". Garotinho afirma que não receberá mais visitas da família, advogados, nem irá ao banho de sol.
O ex-governador foi preso sob acusação de organizar arrecadação para caixa dois eleitoral entre 2010 e 2016 com apoio de um "braço armado" para intimidar empresários.
No período de pouco mais de um ano, o ex-governador foi preso por três vezes, tendo sido solto em duas oportunidades por liminar do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No último caso, porém, a defesa não conseguiu até o momento habeas corpus para o ex-governador.
"Ocorre que se deixar essa unidade com um novo HC [habeas corpus] sem que os responsáveis por essas prisões ilegais sejam ao menos investigados, farão a quarta, a quinta, a sexta e quantas prisões forem necessárias para proteger quem os acoberta em suas ilegalidades", diz a carta, ao pedir um encontro com representante do CNJ.
Assim como vem fazendo desde sua primeira prisão, Garotinho atribui as investigações contra ele às denúncias que fez ao grupo político do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), preso há mais de um ano, e ao ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio Luiz Zveiter.
CONDENAÇÕES
Garotinho é condenado em três ações penais. Sua última prisão é decorrente de investigação que apontou indícios de ameaças a empresários fornecedores da Prefeitura de Campos para que contribuíssem para o caixa dois de sua campanha. Um policial civil aposentado foi preso sob acusação de ameaçar um dos envolvidos. A denúncia foi aceita pela Justiça Eleitoral.
A passagem de Garotinho pelo sistema penitenciário é marcada por confusões desde o início.
Em sua primeira noite na cadeia pública José Frederico Marques, onde Sérgio Cabral e aliados estão presos, ele afirmou ter sido agredido durante a madrugada. A Polícia Civil investiga se o ataque de fato ocorreu ou se foi uma autoagressão. O episódio levou à transferência do ex-governador para Bangu.
Em 2006, Garotinho ficou em greve de fome por cerca de 11 dias. Embora houvesse dúvidas se ele de fato ficou em jejum, o ex-governador foi internado ao fim do protesto no Hospital Quinta D'Or. Saiu no dia seguinte para a convenção do PMDB 6,2 kg mais magro, segundo registrado na versão oficial.
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