Ao contrário do que mostram as propagandas oficiais, interessadas em apontar pontos positivos até onde eles não existem — prática comum de nossos políticos —, o Brasil ainda abriga um contingente enorme de indivíduos vivendo em situação de extrema pobreza (com renda pouco acima de R$ 130 por mês), o que provoca um impacto social muito grande e para a qual não existe, pelo menos em curto prazo, uma solução. Uma série de medidas precisariam ser implementadas no sentido de reduzir este imenso abismo entre as classes, principalmente média e baixa. Quando se vê que o número de miseráveis é quase o mesmo do de desempregados, percebe-se que ainda falta muito para que todos os brasileiros desfrutem de três refeições diárias, como gosta de alardear o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva — garantindo que havia conseguido isso.
De acordo com estudo divulgado ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil tinha em 2016 cerca de 13,4 milhões de pessoas vivendo em condição de pobreza extrema. De acordo com a pesquisa, 6,5% da população vivia com até US$ 1,90 por dia no País — considerada a classificação de pobreza extrema definida pelo Banco Mundial. Quando convertido para o câmbio da época, o rendimento dessas pessoas fica em R$ 133,70 por mês. O dado não possui base de comparação com outros anos. A pesquisa mostrou ainda que um quarto da população brasileira (25,4%) vive no nível menos agudo de pobreza, de pessoas que têm renda de até US$ 5,50 por dia, ou R$ 387 mensais. Considerando toda a população que vive em condição de pobreza, a maior parte são crianças de até 14 anos: 42,4% ou 42 milhões de pessoas.
Os dados por Estados reforçam a desigualdade entre as regiões mais pobres e as mais ricas do país. Enquanto a média nacional para o conceito é de 25,4% da população, em 15 dos 27 Estados o indicador supera a média. Todos estão nas regiões Norte e Nordeste. Maranhão (52,4%), Amazonas (49,2%), Acre (46,6%), Pará (45,6%) e Ceará (44,5%) formam o ranking dos locais com o maior percentual de pessoas que vivem na pobreza. O percentual em São Paulo chega a 12,2% e no Rio, 18,3%. Santa Catarina é o Estado com o menor percentual do país, de 9,4%.
O fim de privilégios na administração pública (incluindo aí os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário), o combate sem trégua à corrupção e a aplicação rigorosa da Lei de Responsabilidade Fiscal são caminhos para se mudar o quadro hoje desenhado. Enquanto ainda tivermos quem considera que os cofres públicos são verdadeiras “tetas” para um grupo de privilegiados, nada vai acontecer. Da forma como está, o abismo entre ricos, classe média e pobres vai aumentar ainda mais.
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