Sento-me naquela cadeira ao vento.
Os meus seios desabotoam os botões da camisola.
Em plena rotina solar que me isola.
É carro que acelera,
É mãe que grita,
Um cachorro late.
É vida que segue numa tarde fria.
Batem à porta e perguntam pelo meu filho.
Se está amamentado, se está aquecido.
Há pouco éramos dois.
Hoje me tornei depois.
Não se avistam mais aquelas chuvas de arroz.
Mas a mãe da mãe tem braços de serpente,
Quem se aproxima ela vai à frente.
As sombras do perigo escorrem pelos trilhos,
Os pensamentos voam pela poltrona em declínio.
O leite sai e a alma contigo resvala.
A noite cai turva nas entranhas de uma sala.
Um bebê chora.
Um pai fica aflito.
É vida que segue ao som de um apito.
As sombras de outrora
Clareiam o novo caminho
As gramas agora são verdes,
Das flores não doem mais os espinhos.
E se os primeiros raios de sol provocaram dor e suor
Hoje a luz renasce do ventre
E deixa tudo girando ao seu redor.
É vida que segue nessa tarde quente.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.