Um Brasil de impunidade


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Enquanto avança o processo da Lava Jato em Curitiba (PR), o brasileiro começa a perceber que muitos dos envolvidos, todos corruptos que locupletaram às custas dos cofres públicos, estão deixando a cadeia. À exceção do ex-governador Sérgio Cabral (RJ), cujas provas são robustas demais — ele conseguiu quebrar todo um Estado —, e o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), além de Antônio Palocci (que deve ganhar afrouxamento da prisão com sua delação “bomba”), a maioria dos implicados no esquema de corrupção já está em casa ou prestes a deixar a cadeia. Por isso, o brasileiro não crê que todos os crimes sejam sentenciados com o rigor esperado.
 
Pois bem: o doleiro Lúcio Funaro, que já tinha sido preso em 2003 por remessa de dinheiro ilegal ao Exterior pelo mesmo juiz federal Sérgio Moro, da Lava Jato, foi preso novamente, desta vez por causa do esquema de empreiteiros e políticos, resolveu delatar todo mundo e pegou apenas dois anos de cadeia. Assim, vai passar o Natal em casa, com a família e amigos. Ele deixa a sua cela na Papuda seis meses antes de completar a pena. Outro que deve receber o Papai Noel em sua mansão localizada em São Paulo é o empreiteiro Marcelo Odebrecht: preso, delatou e devolveu uma quantia desprezível diante do tanto que foi desviado. Até agora, foram restituídos à Petrobras cerca de R$ 700 milhões (menos da metade dos R$ 1,8 bilhões que, estima-se, foram roubados dos cofres da petroleira.
 
Quem pode deixar a cadeia ainda no início do próximo ano é o ex-ministro Antônio Palocci. Um dos homens mais importantes do governo Lula e coordenador da campanha de Dilma, está concluindo os termos de um acordo de delação que promete abalar as estruturas da política nacional. De acordo com reportagem de capa da revista Veja no último final de semana, Palocci promete provar que Muamar Khadaffi, ditador da Líbia, deu um milhão de dólares à campanha de Lula em 2002. Caso esta informação se confirme, terá o poder de acabar com o PT (é vedado, pela lei, o recebimento de dinheiro do exterior por qualquer legenda partidária, sob o risco de ter o registro cassado).
 
Enquanto isso, o Brasil continua descendo a ladeira, com a manutenção da política do “é dando que se recebe” (desvirtuando completamente a belíssima oração de São Francisco de Assis, que abandonou a riqueza para ajudar os pobres), o corporativismo e a cara de pau de alguns de nossos políticos. Um claro exemplo é a escancarada campanha eleitoral que alguns postulantes à presidência da República já estão fazendo, embora seja proibida pela legislação. E somos obrigados a ouvir “pérolas” como a do ex-presidente Lula (já condenado em primeira instância), que disse em comício no último sábado: “o Rio de Janeiro não merece que governadores eleitos democraticamente estejam presos porque roubaram dinheiro público”. É o fim da picada!
 
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