MAPA DA VIOLÒNCIA: 52% DAS VÍTIMAS DE HOMICÍDIOS NÃO CHEGARAM AOS 30 ANOS
Os nossos representantes eleitos não estão se preocupando com o que vem sendo feito dos nossos jovens, os quais não contam com qualquer estímulo para se manter na escola, o que é agravado pela baixa qualidade do ensino. Embora existam ilhas de excelência entre as escolas públicas brasileiras, os números apontam para altos índices de evasãompos ensinos fundamental e médio. E isso empurra nossos estudantes para a marginalidade, muitos deles atraídos pelo dinheiro fácil num país onde o salário mínimo é de pouco mais de R$ 900,00.
Com 726.712 detentos, o Brasil é o terceiro país com mais presos no planeta. Em números absolutos só perde para os Estados Unidos, que tem população de 323 milhões, e para China (1,6 bilhão de habitantes). O jornalista Ricardo Noblat, em seu blog no jornal O Globo, destaca que “além da quantidade de pessoas atrás das grades, quase metade ainda aguardando julgamento, e da desumana superlotação das penitenciárias”, os dados divulgados pelo Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça apontam para uma calamidade ainda maior: 30% dos presos são jovens entre 18 e 24 anos, percentual que atinge alarmantes 55% quando é estendido aos 29 anos de idade.
Ainda de acordo com Noblat, “mais de 1,3 milhão de adolescentes entre 15 e 17 anos abandonam a escola antes de concluir o ensino fundamental. Dos 23,6 milhões de jovens na faixa de 18 a 24 anos, 47% não frequentam o ensino médio. Nada menos de 6,6 milhões compõem a categoria nem-nem, que não estudam e não trabalham. Além disso, são recordistas na morte brutal. O Mapa da Violência 2017, elaborado pelo Ipea e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontam que 52% das vítimas de homicídios não chegaram aos 30 anos de idade.”
O Brasil negligencia sua juventude. Não há, entre os virtuais candidatos à presidência da República, qualquer um que se mostre disposto em promover este debate, que impactaria não apenas os números da violência, mas também no futuro de parcela da juventude pobre e que vive em situação de risco. Ricardo Noblat destaca que, “com presença ostensiva nas redes sociais, o deputado Jair Bolsonaro tem arregimentado jovens — 30% dos que pretendem votar nele têm menos de 24 anos e 60% não chegou aos 35, segundo o Datafolha. Mas nunca apresentou uma única ideia para inverter a tragédia que dia após dia abate a juventude. Ao contrário, fala em armá-los. O mesmo ocorre com Marina Silva, da Rede, que trafega bem entre os mais cultos e descolados de até 34 anos de idade, e com Lula, que não tem o mesmo apelo de outrora, mas ainda arregimenta parcela da preferência desse público.” Os demais pré-candidatos passam longe da juventude, que merece ser melhor atendida em todos os setores, da Educação à Saúde.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.