O prefeito Gilson de Souza (DEM) não compareceu ao seu depoimento convocado para a tarde de ontem, segunda-feira, na Comissão Processante, responsável pelo processo de cassação de seu mandato. Gilson é acusado de ter beneficiado uma construtora ao permitir que ela utilizasse a Praça Central para a realização de um feirão de imóveis.
A ausência do prefeito era esperada. Seu advogado, Denilson Carvalho, havia antecipado que Gilson de Souza não compareceria. Segundo Denilson, a Comissão estaria cometendo inúmeras irregularidades, como o fato de convocar o prefeito para depor sem ter ouvido antes as testemunhas de defesa. As testemunhas de defesa de Gilson deveriam ter prestado esclarecimentos na última quarta-feira. Mas, segundo Denilson, elas não compareceram em virtude de uma outra irregularidade. “A Comissão ouviu os depoimentos dos dois procuradores sem que ninguém da defesa do prefeito estivesse presente. O mesmo já havia ocorrido no depoimento do secretário de Planejamento. Pedi para que essas oitivas fossem remarcadas. Mas meu pedido foi negado”.
O presidente da Comissão, Adermis Marini (PSDB), negou qualquer irregularidade. “Todas as decisões que tomamos foram embasadas no posicionamento do Departamento Jurídico da Câmara. No nosso entendimento, não há irregularidade”, disse ele.
Adermis afirmou que a comissão decidiu não ouvir as testemunhas de defesa porque os depoimentos já haviam sido adiados. “E não temos tempo para estender ainda mais os trabalhos, já que o prazo para a entrega do relatório final é dia 3 de janeiro e não pode ser prorrogado”. Foi também por este motivo que a comissão decidiu não remarcar o depoimento do prefeito.
Na audiência de ontem, Adérmis declarou encerrada a fase de instrução (tomada de depoimentos) e disse que agora a comissão aguarda a entrega das alegações finais da defesa, que deve ser feita até a próxima segunda-feira, dia 18.
Em seguida, os três membros da Comissão, os vereadores Adérmis, Della Motta (Podemos) e Arroizinho (PMDB), devem se reunir para definir como será o relatório final que será redigido por Della Motta.
O relatório, depois de entregue, será votado pelos vereadores em uma sessão especial de julgamento que deve acontecer ainda esse ano. Para Gilson ser cassado, são necessários dez votos.
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