Muitos, com expertise na área de informática, colocam em dúvida a absoluta segurança das urnas eletrônicas utilizadas, já há algum tempo, nas eleições em nosso país. O argumento mais comum adotado é o de que alguns hackers conseguem acessar arquivos sigilosos, que envolvem a segurança de países como os Estados Unidos e, portanto, não seria nada impossível para eles burlar a segurança de urnas eletrônicas, de tecnologia indiscutivelmente mais modesta.
Também causa uma certa estranheza o fato de que outros países, com democracia mais consolidada do que a nossa e com grandes investimentos em tecnologia, não utilizarem em suas eleições urnas eletrônicas semelhantes às nossas. Se são tão seguras e eficientes, porque praticamente só em solo brasileiro são elas usadas?
Sempre após o resultado de uma eleição no Brasil, alguns perdedores descontentes, colocam em dúvida a lisura do pleito, especialmente em eleições municipais que são, reconhecidamente, mais acirradas e que despertam o maior interesse do eleitor.
Recentemente o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em testes públicos de avaliação, acabou detectando falhas nas urnas eletrônicas, pois foi possível acessar o sistema de segurança e assim encontrar a chave para entrar naquilo que se convencionou chamar de “caixa preta da urna”, obtendo dados do eleitor.
Embora o próprio Presidente do TSE, publicamente tenha garantido que a falha de segurança detectada recentemente não teria ocorrido nas eleições anteriores e, também, de que o sistema será ainda mais aperfeiçoado, tal fato, porém, já foi suficiente para despertar em muitos céticos e críticos da urna eletrônica, a dúvida, pois, para esses, “onde há fumaça há fogo”.
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca
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