'Rolê' em prédio abandonado preocupa


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Prédio abandonado, na avenida Ademar Polo Filho no Jardim Lima, se tornou de novo um foco de problemas
Prédio abandonado, na avenida Ademar Polo Filho no Jardim Lima, se tornou de novo um foco de problemas
O recente “presente de grego” do governador Geraldo Alckmin (PSDB) para Franca está dando dor de cabeça mais uma vez. Segundo o Conselho Tutelar, o prédio abandonado da avenida Ademar Polo Filho, no Jardim Lima, que no começo do ano tinha se transformado em esconderijo de criminosos, ponto de prostituição e de consumo de drogas, está se tornando, agora, ponto de encontro de adolescentes. No local, além de consumirem bebidas alcoólicas e fazerem algazarra, especialmente no período noturno, os garotos se colocam em risco ao andar pelos beirais da construção, que está sem paredes. 
 
De acordo com José Luiz Pimenta, conselheiro tutelar há quatro anos, adolescentes que costumam fazer o “rolezinho” em lanchonete que fica ao lado da construção, ficam no estacionamento aglomerados e, depois, atravessam a rua e entram no prédio, onde costumam reunir grupos que chegam a até 30 pessoas. “O lugar tem grande risco de queda. Não há iluminação, corrimãos ou qualquer tipo de segurança, além de extrema sujeira. É uma situação complicada, pois, pelo que apuramos, há consumo de álcool e todos os riscos possíveis”, disse. O acesso ao prédio é fácil, uma vez que não há vigia, tampouco cadeados no portão ou proteção para evitar que qualquer pessoa entre ali.
 
Assim que passou a receber denúncias do que tem acontecido no “esqueleto do Jardim Lima”, o Conselho Tutelar fez visitas ao local. Latas, garrafas de vodca, lixo, fezes e roupas foram alguns dos objetos que encontrou largados no local. Como há obra está inacabada, há um foço de elevador aberto, o que aumenta os riscos. Segundo Pimenta, um menor, de apenas 16 anos e que estava lá essa semana, disse que é frequente a presença de outros adolescentes, especialmente às sextas-feiras. “Eles sobem e descem pelas ferragens e estrutura do que seria o elevador e ficam por lá, percorrendo todos os andares e fazendo selfies lá do topo. Isso precisa ser mudado com urgência, antes que aconteça alguma tragédia”, disse ele. Uma vizinha do prédio, que pediu para não ser identificada, disse que a bagunça de adolescentes no local tem sido frequente. “Acho que os pais e responsáveis nem sabem que seus filhos estão frequentando esse local. Da janela da minha casa dá para ver tudo! É um perigo para essa meninada. Eles não têm juízo”, disse ela. 
 
A previsão do conselho é de formalizar a denúncia à prefeitura para que ma providência seja tomada o quanto antes. A Prefeitura de Franca foi procurada pela reportagem na última quarta-feira e, também, ao longo da quinta. Até o fechamento desta edição, não se manifestou a respeito de eventuais projetos para o prédio, tampouco sobre a situação dos adolescentes, nem quanto à denúncia do Conselho.
 
Herança maldita
O terreno, que era do município, foi doado ao Governo do Estado de São Paulo na década de 80 para, no local, ser instalada a Secretaria da Fazenda. Em 2006, o Estado repassou o imóvel para o Tribunal Regional Federal instalar a sede da Justiça Federal. Neste ano, o Governo voltou atrás e devolveu o prédio para que o município banque as despesas com sua conclusão. A reforma está estimada em R$ 15 milhões.

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