Frans Krajcberg morreu no último dia 15 de novembro. Ele tinha 96 anos. Apesar da idade, continuava defendendo as florestas. Era um artista diferente: usava raízes e troncos derrubados pelo homem para produzir esculturas em formas espetaculares. Nos últimos trinta anos, viveu numa casa grande, construída em cima de uma árvore, a doze metros do chão, no município de Viçosa, no sul da Bahia. Mas ele não era brasileiro.
Nascido na Polônia, em 1921, combateu no exército soviético russo durante a Segunda Guerra Mundial, quando perdeu toda a família. Foi soldado e acabou hospitalizado por causa do frio intenso que enfrentou nos campos de batalha. Em 1948, veio para o Brasil. Aqui trabalhou como operário, apesar de ter cursado em sua terra engenharia e artes. Mas logo foi reconhecido como artista.
As escritoras Roseane Acedo e Cecília Aranha contam a surpreendente história deste ser humano que foi escultor, pintor, gravador e fotógrafo no livro Encontro com Krajcberg. Com ajuda dos desenhos de Cláudio Martins e de fotos das obras de Krajcberg, o livro mostra para as crianças a infância pobre do menino Frans na Polônia, sua juventude na Alemanha e na França, e as obras que ele realizou em nosso país. Ele amava tanto nosso país que disse assim, certa vez: “ A mídia escreve que sou polonês naturalizado brasileiro. Não, eu sou brasileiro”.
Outra escritora, Renata Sant’Anna, em parceria com a ilustradora Valquíria Prates, escreveu também lindo livro sobre o artista. Chama-se Frans Krajcberg – a obra que não queremos ver, e foi publicado pela Editora Paulinas. Os dois livros mostram como o artista defendeu através de sua arte as florestas do Brasil. Também revelam como é importante o homem se integrar com a natureza.
Por falar nisso, hoje é o Dia Internacional dos Povos Indígenas, uma data que tem tudo a ver com a vida do artista. Ao defender a Floresta Amazônica, ele empatava com os índios que ali viveram e tinham com as árvores uma relação de cuidado e respeito. Krajcberg denunciou as ações dos homens chamados civilizados que destruíram a Floresta Atlântica e em nossos dias estão destruindo também a Floresta Amazônica. O artista saía para olhar as árvores e quando encontrava incêndios, em geral provocados pelos homens interessados em derrubar árvores para transformar o espaço em pastagem para gado, dizia assim: “Eu me sinto tão queimado como as árvores”.
Então, para diminuir sua tristeza, ele recolhia troncos e raízes queimadas e os transformava em obras de arte. Limpava, lixava, encerava a madeira e a fazia peças lindas, que hoje se encontram em museus de diversas partes do mundo. Ele também costumava reunir folhas, terra, pedras e galhos para construir quadros.
Em seu livro, Renata e Valquíria, além de mostrar os trabalhos e pensamentos de Krajcberg, incentivam a criança a exercitar a criatividade com elementos simples encontrados na natureza. Um exemplo: “ Em seu próximo passeio em um parque, praça ou jardim, recolha galhos, folhas secas ou outros elementos descartados pela natureza e leve tudo para sua casa. Para transformá-los em quadros ou placas, pegue a tampa de uma caixa de sapato ou de pizza e distribua os objetos coletados, ocupando todo o espaço livre. Experimente colocá-los de várias maneiras diferentes. Quando achar que terminou, e quiser que os elementos fiquem fixados, passe bastante cola branca entre eles. Deixe secar por dois dias e então escolha um local para pendurar a sua obra de arte”
Outro exemplos: “Desenhar é um exercício de observação, uma maneira de olharmos com atenção detalhes que nunca havíamos notado”, explicam as autoras. “Chegue bem perto de uma flor ou folha. Olhe atentamente as partes, cores, texturas e contornos. Desenhe o que você achou mais interessante. Imagine como você a veria se fosse maior que você. Como se você pudesse andar sobre suas pétalas e folhas. E faça outro desenho e compare com o primeiro. Em que eles são parecidos ou diferentes? Por quê?”
E para você que sabe o que é pintura, escultura, fotografia, mas não sabe o que é a técnica dos relevos em papel, Renata e Valquíria orientam um trabalho: “Recolha uma folha seca de árvore ou planta ornamental de sua casa ou jardim. Passe sobre ela uma fina camada de vaselina. Prepare numa bacia uma mistura com dois copos de água e cinco colheres de cola branca. Corte três folhas de jornal em tiras de 2 cm de largura por 30 de comprimento. Mergulhe uma tira na mistura da bacia e coloque-a sobre sua folha, na horizontal, cobrindo-a da esquerda para a direita. Repita a operação até cobrir completamente a folha, colocando algumas tiras na vertical, outras na diagonal, e outras na horizontal, fazendo várias camadas de papel que cubram a área ao redor da folha também. Deixe secar por 48 horas. Separe cuidadosamente sua folha da superfície do jornal. Pinte seu relevo com as cores que escolher.”
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