O comerciante José Vicente viu no início das obras de duplicação da rodovia Ronan Rocha oportunidade para melhorar as vendas num período em que a crise afetou em cheio a economia. Dono de um restaurante em Patrocínio Paulista, ele foi contratado pela empresa responsável para fornecer comida aos trabalhadores da obra. No auge, chegou a servir 400 marmitas. Entregou e não recebeu. O que era esperança de dias melhores, se transformou em um prejuízo de R$ 115 mil.
Vicente não é o único. Pelo menos 20 prestadores de serviços afirmam que sofreram calote. A dívida total, segundo eles, supera a casa dos R$ 5 milhões. A relação de vítimas vai desde o dono do posto de gasolina até o dono do lava jato que lavava os caminhões. O Consórcio SP-345, que foi contratado para fazer as obras, disse que as dívidas se devem a pendências ainda não pagas pela Arteris, que é a dona da Autovias. A concessionária, por sua vez, garante que todas as obrigações previstas em contrato já foram pagas (veja mais em texto nesta página).
Uma empresa de Jeriquara, responsável por fornecer a grama que foi plantada nos canteiros e nas laterais da pista, luta para receber R$ 316 mil. “Desde julho, estou tentando receber e nada. Eles sempre enrolam, inventam uma desculpa e não pagam a gente”, disse Dinei Dias. Marcelo Antônio de Souza, de Patrocínio, que também plantou grama, afirma ter R$ 86 mil para receber.
Eduardo do Carmo é de uma empresa localizada em Sete Lagoas (MG), que forneceu equipamentos e mão-de-obra para a empresa. Chegou a manter 80 trabalhadores no alojamento. “‘Temos um valor alto para receber. Estamos fechando a planilha, mas o débito supera R$ 300 mil. A empresa que nos contratou alega que não recebeu da Arteris e vai empurrando com a barriga. Eles programaram várias datas de pagamento, mas não cumpriram. Nós, bancamos a obra e entregamos para o governador inaugurar, mas ficamos com o prejuízo. Agora, ninguém assume a culpa”.
Algumas vítimas já entraram na Justiça e vão denunciar o caso à polícia. Não é só. Cansados de cobrar e não receber, os credores estão se mobilizando. Criaram um grupo no WhatsApp e prometem fazer barulho na próxima semana. A intenção é chamar a atenção do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e da direção da Arteris. A empresa afirma ter investido R$ 71 milhões para duplicar a pista. “Estamos preparando um grande protesto. Vamos para a rodovia com máquinas e caminhões até alguém escutar nosso grito. Não é possível que o governador e a Arteris façam propaganda da duplicação e deixem a gente no prejuízo”, concluiu Dinei Dias.
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