Os próximos dias serão decisivos para que o governo Michel Temer (PMDB) emplaque a reforma da Previdência. Ainda hoje, o Planalto ainda não conta com votos suficientes para aprovar a matéria no Congresso, ainda mais que as demandas corporativistas de deputados e partidos dificilmente poderão ser atendidas depois das concessões feitas no próprio texto e, principalmente, a distribuição de cargos e emendas para salvar o presidente de dois processos no STF (Supremo Tribunal Federal). Temer hoje não tem aquele apoio amplo de meses atrás, quando se livrou da possibilidade de ser afastado do cargo. Ainda mais depois do episódio envolvendo o PSDB — o partido ainda não definiu sua participação no processo e muito menos como uma das bases de sustentação do governo. Fica o sai-não sai do ministério e as pressões partem dos mais de dois mil comissionados indicados pelos tucanos em órgãos governamentais.
O centrão (deputados de vários partidos que podem ser o fiel da balança na aprovação da reforma), por seu turno, continua pressionando o Planalto, cobrando as posições do PSDB que mostrou, nas votações que livraram o presidente de processos, não estar unido em defesa dos interesses de Temer. Como sempre, parte do tucanato está em cima do muro, enquanto parte da sigla defende o desembarque imediato do governo. Já o ministros Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores) e Antônio Imbassahy (Coordenação Política) não demonstram interesse em largar o osso, contrapondo-se ate ao atual presidente da legenda, o governador paulista Geraldo Alckmin, que defende o desembarque do ministério e apoio à reforma. Mas como tudo o que acontece no ninho dos tucanos nunca é simples, o governo corre o risco de não conseguir aprovar a reforma da Previdência por causa deste tipo de picuinha.
O que nos deixa estarrecidos é a forma como o Planalto vem negociando para aprovar a matéria. Concessões continuam sendo feitas (como a liberação de R$ 2 bilhões para governos estaduais e promessas diárias a deputados de diversos partidos) e não há garantias de que a reforma seja feita da forma como está, principalmente depois que a proposta original, atingindo servidores civis e militares, foi profundamente modificada desde sua apresentação, reduzindo bastante a economia capaz de recuperar as contas da Previdência em médio prazo. Da forma como está, vai exigir mais dos que financiam o sistema previdenciário brasileiro, mantendo os gargalos por onde sangram os cofres do INSS. Há a possibilidade de que nenhuma das gestões do Palácio do Planalto dê certo. E, assim, os beneficiários continuarão sofrendo os efeitos de um sistema deficitário que pode falir dentro de alguns anos. E nós continuaremos a pagar o pato.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.