SUS TEM 904 MIL CIRURGIAS ELETIVAS NA LISTA DE ESPERA, APONTA LEVANTAMENTO
A questão da saúde pública no Brasil chegou a um ponto em que milhares de brasileiros, a cada ano, morrem por falta de um procedimento médico. Somente na Constituição é que a Saúde é direito de todos. Na prática, porém, a questão é muito mais preocupante, quando se sabe que consultas são marcadas em prazos incompatíveis com a moléstia que o paciente exibe. O Comércio, a rádio Difusora e o portal GCN sempre estão aí, divulgando as demandas de trabalhadores que não têm condições de esperar pela disponibilidade do SUS (Sistema Único de Saúde) em atender prontamente os pacientes. Há quem se endivida só para conseguir uma consulta com médico particular. Faltam profissionais, recursos e insumos em toda a rede pública de saúde, onde recursos são desviados por quadrilhas de falsos médicos e traficantes de medicamentos, entre outros.
Agora, um levantamento do CFM (Conselho Federal de Medicina) aponta que pelo menos 904 mil cirurgias eletivas estão pendentes no SUS em diferentes estados e municípios do país. As cirurgias eletivas não são de urgência ou emergência. O estudo, feito pela primeira vez pelo conselho, divulgado ontem mostra que do total pelo menos 746 procedimentos cirúrgicos estão na fila de espera há mais de dez anos e 83% dos pedidos entraram na fila a partir de 2016. O Ministério da Saúde informou que desde maio passou a adotar o sistema de fila única para organizar a demanda. A pesquisa traz dados enviados pelas secretarias de saúde de 16 estados e dez capitais até junho deste ano. Outros sete estados e oito capitais não enviaram informações, alegando não tê-las disponíveis ou por negativa de acesso aos dados. Por ser o primeiro levantamento desse tipo, não há dados dos anos anteriores. A pesquisa contabiliza o número de procedimentos agendados, e não o número de pacientes na fila.
Na lista de espera, a maioria dos pedidos de cirurgias é de catarata, hérnia, vesícula, amígdalas e adenoide, além de cirurgias ortopédicas. Os estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Ceará apresentaram o maior número de cirurgias pendentes. Entre as capitais e estados que disponibilizaram informações de perfil dos usuários, as mulheres representam 67% dos pacientes que aguardam algum tipo de procedimento especializado. O Ministério da Saúde informou que, em julho deste ano, foi fechada a primeira lista para cirurgias eletivas no SUS, a qual identificou pouco mais de 667 mil pacientes aguardando por algum procedimento eletivo no país. De acordo com o CFM, o SUS realizou no ano passado mais de 1,5 milhão de cirurgias eletivas. O número é inferior a 2015, que registrou 1,7 milhão de cirurgias; e 2014, com o total de 1,8 milhão, com base em dados do sistema de informação do Ministério da Saúde.
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