Vivemos atualmente em um verdadeiro ‘Big Brother’. O sagrado e Constitucional direito à privacidade, deu lugar a uma constante e inexplicável exposição pública, sem limites e sem precedentes.
As pessoas sentem-se felizes e realizadas se expondo e expondo os outros publicamente. Dessa forma, divulgam nas redes sociais, os lugares que frequentam, o que comem, vestem, fazem, as companhias, os relacionamentos. Parece que as redes sociais conseguem realizar o sonho de muitos: o de ser conhecido e famoso, custe o que custar, pois nada mais fica encoberto.
Confesso que tenho dificuldade de conviver com tamanha exposição midiática. Exatamente por isso, sou taxado de retrógrado e “careta”. Mas o perigoso nessa situação de exposição desmedida, além dos aspectos ligados à segurança pessoal e familiar, é constatar que algumas pessoas, por interesse ou má-fé, pinçam parte de uma frase dita por outra, dentro de um determinado contexto, dando a essa parte uma conotação totalmente diferente, desvirtuada do todo e quase sempre de cunho pejorativo.
Com esse proceder, são inúmeros os casos de pessoas que foram expostas à execração pública, por algo que não disseram ou que disseram em um contexto totalmente diferente. As pessoas precisam ter a consciência de que nem tudo que é veiculado nas redes sociais é verdade. Devem ter uma visão crítica e principalmente seletiva de tudo aquilo que circula pela rede mundial de computadores, pois, do contrário, acabam se tornando também veículos de inverdades e contribuindo para prejudicar ainda mais a imagem de pessoas inocentes.
Não se pode esquecer, nunca, que respeitar a privacidade e a opinião das pessoas, é traço marcante de um país democrático.
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca
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