Política & comida


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Os acontecimentos desse final de ano em torno da comida e do veneno estão tumultuados. O envolvimento de empresas mais ricas que alguns países, põe em dúvida qualquer declaração ou documento. E nem falo de Brasil, falo é da Alemanha. A Monsanto conseguiu vergar a Alemanha num caso que agitou a União Europeia com intensos debates sobre a liberação daquele que é o mais vendido veneno para a agricultura. 
 
Qualquer um que tenha passado por uma plantação de soja brasileira viu a plaquinha indicando a utilização do Roundup, ou glifosato. Ele é o herbicida mais vendido no mundo. O Brasil é o maior comprador do produto, não deve ter metro quadrado do agronegócio que não utilize esse veneno, por essa razão somos o país mais afetado. Ele é utilizado para matar “ervas daninhas”, limpar o solo para que cresça apenas a cultura desejada. A quantidade é assombrosa: 5 a 6 litros de agrotóxico por pessoa são espalhados pelas nossas plantações, pior, muitas vezes através de aviões, que ignoram barreiras, prejudicando seres humanos. 
 
No Rio Grande do Sul, nas cidades onde mais se usam esse pesticida, o número de pessoas com algum tipo de câncer é recorde. A pesquisadora do Inca Márcia Sarpa elaborou um dossiê relacionando a incidência dos cânceres de mama, próstata e linfoma com a utilização do glifosato.  
 
Não foi dessa vez que a população conseguiu a proibição desse veneno.
 
O debate está na União Europeia. Tudo parecia caminhar para o lado do bem, do solo, da terra, das águas e do homem, mas a Alemanha mudou seu voto e arrastou consigo outros países. O resultado é: a licença de uso do glifosato renovada por mais 5 anos.
 
Por aqui, a agitação está por conta da rotulagem de produtos industrializados. Não é novo esse requerimento, mas só agora houve publicidade adequada. A formulação de um guia alimentar brasileiro foi um grande avanço, a eleição da comida de verdade em oposição a industrializada beneficia o povo brasileiro. Mas essa brochura vai já criando mofo, é preciso ler e passar adiante o que é alimentação saudável. Além disso, colocar o que não se presta a alimentar no seu devido lugar. A resistência é grande, o lobby da grande indústria já ganhou uma vez, mas é o caminho que importa, mudanças consistentes demoram mesmo, a resiliência desponta no final do túnel e vamos ver ainda muito salgadinho e cereal matinal com alerta vermelho para obesidade, diabete e cânceres.     
 
 
 
PS.: Para assinar a petição de apoio, consultem as páginas da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável. Para saber mais sobre “epidemia de câncer nos agricultores do Rio grande do Sul” consultem as páginas da BBC Brasil. 

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