Nos seus 193 anos, Franca, conhecida como a Terra dos Calçados e a Capital Nacional do Basquete, cresceu, se desenvolveu e mudou bastante. O mesmo pode ser dito das principais características dos fieis francanos, que tomaram novas formas em todas essas décadas. Predominante na cidade, a igreja católica viu sua hegemonia cair e crescer o número de evangélicos, espíritas e daqueles que se declaram sem religião. A afirmação, baseada no último Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2010, que já mostrava uma ligeira queda no número de católicos ante um crescimento expressivo nos declarados evangélicos (50%), espíritas (12,4%) e sem religião (24,1%), pode usar como base também a quantidade de templos religiosos existentes na cidade.
Segundo dados fornecidos pelo setor de Cadastro de Atividades da Prefeitura de Franca, atualmente são 302 templos religiosos espalhados pela cidade. Enquanto destes 22 são paróquias e 60 capelas, o restante corresponde a templos evangélicos e centros espíritas.
A queda de fieis católicos em Franca, de acordo com o bispo da Diocese de Franca, Dom Paulo Roberto Beloto, segue uma tendência mundial. “Eu não sei se no caso da presença perdemos, vejo queda no número de católicos, mas a presença na igreja ainda é boa e significativa. A cidade de Franca é uma cidade religiosa, não só de católicos, mas no modo geral”, disse. “O motivo dessa migração ainda é uma discussão muito complexa, que resposta vamos dar a esse processo? Antes tínhamos um mundo mais rural, a urbanização influenciou no surgimento de outras igrejas e acabou despertando a participação dos fieis nesses templos”, completou.
Para o presidente do Conselho de Pastores de Franca, pastor Wagner Botelho Cherioni, nos últimos anos a mudança em aspectos antes rígidos da igreja evangélica, como a forma de se vestir, beneficiou o surgimento de novas denominações e a ampliação dos adeptos da religião. “Antigamente as igrejas eram mais rígidas, com roupas, costumes e ações. Vimos isso mudar um pouco ao longo dos anos e essa nova liberdade ajudou a alimentar a fé dos fieis e trazê-los para a igreja evangélica”, disse.
Presidente da USE (União das Sociedades Espíritas) de Franca, Sandro Luís Fernandes afirma que os adeptos e simpatizantes do espiritismo na cidade cresceu. “O movimento espírita em Franca aumentou, mas muitos ainda têm receio de falar sobre a doutrina. É um movimento forte, em que buscamos interpretar a lição de Cristo e realizar um trabalho seguindo seus ensinamentos. Porém, ainda observamos que o número de pessoas que frequentam as casas espíritas e o que se declara espírita ainda é bem diferente. Talvez por receio, por não entender a doutrina, pelo medo do preconceito, não é possível afirmar”, disse.
Confira nas próximas páginas entrevistas com alguns dos principais religiosos de Franca.
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