'Todo mundo precisa de alguém para conversar'


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Arlindo Rezende durante a aula de pilates
Arlindo Rezende durante a aula de pilates
Em pouco mais de 30 anos, a parcela da população de Franca com mais integrantes será a formada por idosos, somando 38,1 mil pessoas com 75 anos ou mais. Recente, a projeção feita pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) revela que a cidade segue a tendência mundial com o aumento da expectativa de vida. Franca tem hoje 47.614 pessoas com ou acima de 60 anos, o que corresponde a 14,18% da população. Em 2050, esse percentual deve superar os 31%.
 
Com o objetivo de oferecer um envelhecimento ativo e saudável, entidades têm firmado convênios com a Prefeitura, via Fussol (Fundo Social de Solidariedade), para atender os idosos de forma gratuita. O Lions Clube Franca Sobral desenvolve trabalhos nessas frentes no Citi (Centro de Integração da Terceira Idade) e atende mais de 400 idosos, de 60 a 90 anos. Entre os projetos estão o CCI (Centro de Convivência do Idoso), no Redentor, e o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, feito em parceria com o Cras, que atende idosos afastados da família ou vítimas de violência.
 
O Citi mantém ainda outras atividades voltadas para a população envelhecida, como o Projeto Turismo, que realiza excursões, como viagens - a mais recente foi para a Estância Termópolis - e o Projeto Intergeracional. Este trabalho busca agregar mais atividades ao CCI e proporcionar a convivência dos idosos com os alunos do Instituto Samaritano. “A proposta é diversificar o convívio e, assim, rejuvenescê-los, ao mesmo tempo em que trabalhamos o outro lado, com uma cultura de valorização do idoso”, afirma a assistente social e coordenadora, Cláudia Cintra Marques.
 
O Templo Espírita Vicente de Paulo mantém o CCI “Avelina Maria de Jesus”, no Jardim Aeroporto 3, e o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para atender 200 pessoas. Mais de dez tipos de atividades são ofertadas, entre pilates, vôlei, artesanato, informática, coral, alfabetização e terapia ocupacional. Segundo o coordenador Róss Marques, o objetivo é oferecer atividades diversas e diárias para tirar o idoso do isolamento. “Todo mundo precisa de alguém para interagir, conversar e nessa faixa etária em que estão é comum perderem o trabalho, os amigos, os filhos que se casaram, o parceiro que morreu. É natural se isolarem. Buscamos criar a convivência entre eles”, disse Marques.
 
Sob risco
A Fundação Espírita Judas Iscariotes é outra instituição francana que mantém convênios com a Prefeitura para o atendimento ao idoso. Administra os CCIs “Nelson Paula Silveira”, no Centro, e o “Rodolfo Vilas Boas”, no Paulistano, o Lar de Ofélia e dois Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos. Todas as unidades atendem um total de 650 pessoas acima dos 60 anos. O presidente da Fundação, Cloves Plácido Barbosa, destaca a importância das atividades para proporcionar uma velhice mais saudável à comunidade, mas faz ressalvas sobre o apoio do município para garantir os serviços. “Falta apoio do Poder Público e não é de hoje. Desde outras gestões enfrentamos esse problema, até agora sem solução. Estamos enfrentando, neste ano, atraso no repasse de verbas e defasagem dos valores de custo de cada idoso. Infelizmente, o Poder Público não os vê como prioridade”, disse. Segundo ele, se a situação não se regularizar, a instituição pode abrir mão dos atendimentos. “Estamos trabalhando com déficit e não vamos para o chamamento público se a situação não mudar”, completou.

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