Há um ano e meio, a Farmácia Oficinal transferiu uma de suas quatro unidades da Rua Diogo Feijó para uma galeria na Voluntários da Franca. O amplo prédio que abrigava uma loja de roupas deu lugar a quatro imóveis idênticos, todos ocupados atualmente. A farmácia aluga um deles e as outras abrigam uma gráfica express, uma loja de roupas e uma de suplementos. “A mudança foi muito positiva para nós. Estamos mais próximos do terminal de ôibus da Estação e contamos com estacionamento em frente à farmácia, o que facilita bastante”, disse Daniel Soares, farmacêutico responsável pela unidade e um dos integrantes da UCE (União dos Comerciantes da Estação).
Este núcleo foi criado em 2015, no programa Empreender, da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), com o principal objetivo de fomentar o comércio no bairro. Hoje, 16 empresas da Estação fazem parte do projeto. “O grupo está empenhado em modificar a imagem comercial deste setor da cidade. Os prédios antigos estão sendo totalmente remodelados e queremos que a população vá incorporando essa nova proposta e veja que existem opções para compras na cidade, menos saturadas que outros pontos comerciais”, afirma Daniel.
A UCE realiza encontros periódicos com os lojistas, tendo como foco aprimorar a gestão empresarial, discutir ações sobre visual merchandising, vitrinismo e o novo comportamento dos clientes, para assim oferecer produtos diferenciados e que atendam suas expectativas. “A Estação passa por uma repaginação. A intenção é aumentar a competitividade do comércio através de ações empreendedoras que melhorem os negócios de forma geral e despertem o interesse no consumidor em voltar a comprar na Estação, um bairro tradicional que oferece diversidade, com lojas de brinquedos, presentes, móveis, farmácias”, ressalta o especialista em gestão estratégica Victor Hugo Mariano, gestor do programa Empreender.
Teatro na rua
Na Estação, manifestações artísticas também têm renovado o bairro. Em novembro, a sétima turma de teatro do Senac promoveu quatro noites de espetáculo ao ar livre.
A Praça Sabino Loureiro virou palco para 19 alunos apresentarem a peça “No Cru da Rua”, sob direção dos professores Rafael Bougleux e Nathalia Fernandes e inspirada nos personagens do escritor brasileiro Marcelino Freire. “Esse autor aborda muitos personagens marginalizados, como moradores de rua e prostitutas, e essas pessoas estão na Estação. Usamos o espaço para mostrar isso, disse William Veríssimo, que fez parte do elenco.
A atuação deles levou vida a um espaço “morto” e abandonado: o prédio da antiga Estação Ferroviária Mogiana. O imóvel, pichado e depredado, é ocupado pela Biblioteca Municipal, o Cartório Eleitoral e o guichê da Cometa; as demais repartições estão ociosas. E é na biblioteca “Prof. Olegário Ferreira”, com acervo de 15 mil títulos, que se verifica outra centelha de vida. “Emprestamos, em média, mil livros por mês”, disse a bibliotecária Clemência Canoas de Andrade.
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