Já são 193 anos de histórias, construções, pessoas que se foram e outras que ficaram, problemas solucionados, assuntos inacabados e coisas boas que permaneceram. Franca, com seus mais de 347 mil habitantes, é uma cidade que, constantemente, se modifica em algumas vertentes. Outras, permanecem da mesma forma. E, em todos esses anos, ela mostra para sua população e visitantes algo inegável: é uma verdadeira miscelânea do interior do Estado de São Paulo, ou seja, traz variedades de coisas diferentes e se modifica com o tempo.
SAÚDE COMO CARRO-CHEFE DO GOVERNO ATUAL
Depois do escândalo dos falsos médicos na gestão de Alexandre Ferreira (Solidariedade), o setor da saúde de Franca teve uma drástica mudança no ano em que a cidade completa 193 anos. E para melhor.
Com a chegada do secretário Rodolfo Morais, médico que conhece as dificuldades do setor público, a saúde deu uma guinada. O Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), antes lotados e alvos de reclamações diárias da população, agora não acumulam tantas filas.
Outro fator positivo, modificado logo no início da gestão do secretário, foi o retorno de dois pontos importantes da saúde que Alexandre fez questão de extinguir quando prefeito: os médicos psiquiatras na rede pública e a Casa do Diabético, que funciona há 20 anos e desde junho seus mais de 8 mil pacientes voltaram a contar com médico endocrinologista, especialista na área.
Além disso, para otimizar os atendimentos e tentar encerrar a fila eterna de consultas, foi implantado um novo sistema de agendamento com confirmação via celular.
Agora, mutirões de exames de alto-custo vem sendo realizados. As cirurgias eletivas, que vem sendo negociadas com a Santa Casa para zerar a fila de espera, que hoje conta com mais de 10 mil pacientes, também estão nos projetos. Para isso, devem ser investidos R$ 100 milhões em quatro anos e, em contrapartida, o hospital deve mais que dobrar o volume mensal de cirurgias, realizando quase 3 mil procedimentos anualmente.
As 14 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) espalhadas por Franca também foram atingidas pelas mudanças e, além do remanejamento interno, têm passado por reformas.
Todo o mobiliário está sendo trocado e, no início do ano que vem, deve ser inaugurada a UBS Santa Clara, na zona Oeste, para atender a população daquela região.
CASACOR: NEGÓCIO E TENDÊNCIA
Pela primeira vez, após 31 anos de sua criação, a CasaCor chegou a Franca em 2017. Disposta na casa da família Marangoni, no Parque dos Lima, a maior e mais completa feira de arquitetura, design de interiores e paisagismo das Américas, ficou na cidade entre 5 de outubro e 15 de novembro, e atraiu uma legião de profissionais e empreendedores.
Com o tema “Foco no essencial: o design mais perto das pessoas”, a CasaCor Franca foi idealizada pelos arquitetos Maurício Siqueira e Maurício Calixto, e trouxe tendências e projetos para 32 ambientes. Para tanto, participaram 60 profissionais dos ramos. A mostra recebeu mais de 10 mil visitantes de várias cidades do país. Esse sucesso foi celebrado pelos organizadores, que pretendem trazer a CasaCor para Franca novamente em 2019. “Ela provocou uma transformação no segmento de arquitetura, paisagismo e design de interiores de Franca. Noventa por cento dos participantes da mostra fecharam negócios.”
SESI FRANCA VOLTA COM TUDO
Com um elenco jovem e orçamento modesto, nem de longe a expectativa do Franca Basquete, quando a temporada 2016/2017 do NBB (Novo Basquete Brasil) teve início, era de chegar às quartas-de-final da competição. De um ano para cá, muita coisa mudou: o Sesi entrou como grande parceiro, os patrocínios aumentaram e o elenco foi reforçado. Com isso, os resultados melhoraram e, recentemente, o Sesi Franca Basquete sagrou-se vice-campeão do Campeonato Paulista.
Agora, na nova temporada do NBB, o desafio do time de Helinho Garcia é de intensificar os ataques, chegar aos play-offs do campeonato e fazer jus à alcunha que sua torcida colocou de ‘maior do Brasil’. “Precisamos manter um crescimento constante em quadra sem oscilar tanto ao longo do jogo”, explicou o treinador, que ainda colocou Franca entre os favoritos ao título, ao lado de Mogi, Paulistano, Bauru, Pinheiros, Vasco, Flamengo, Vitória e Basquete Cearense. É ver e torcer.
CULTURA AO ALCANCE DO POVO
Muito além de literatura, a 5ª edição da Feira do Livro, em 2017, trouxe também música e arte e mostrou às autoridades algo que estava esquecido nos últimos anos e que pode melhorar ainda mais: as pessoas querem cultura em Franca. A Feira do Livro aconteceu entre os dias 27 de setembro e 1º de outubro, na Praça Central. O evento trouxe oficinas, como de balões, pintura facial, origami e MDF, palestras, teatro, lançamento de obras de escritores locais, livros a R$ 10, saraus e oficina de poesia. Também houve um diferencial: grandes shows com artistas renomados.
Os cantores Luís Caldas, Sérgio Reis que registrou recorde de público em seu show, com 45 mil pessoas -, Margareth Menezes e Paula Lima, foram as atrações musicais da Feira do Livro, graças ao convite do músico Diego Figueiredo, conhecido mundialmente. Ao lado do francano, eles ajudaram a garantir o sucesso da feira e a confirmação de sua 6ª edição em 2018.
CRECHES COM MAIS VAGAS
Dois mil e dezessete foi um ano produtivo para a educação de Franca. Além das três universidades físicas, outras com escritório que fornecem estudos à distância, e escolas estaduais e municipais sendo destaque, as creches também foram um fator positivo.
Com a finalidade de diminuir a extensa fila de espera de vagas em creches municipais, a Secretaria da Educação, agora comandada por Edgar Ajax Filho, proporcionou às crianças cerca de 1.080 vagas. Foram inauguradas quatro creches que estavam sendo finalizadas e outras duas já prontas também abertas, mas que não passavam de um sonho distante.
A previsão da Secretaria é que, até 2019, sejam ofertadas 2.690 vagas. Para isso, está sendo duplicada a unidade do Jardim Riviera, com 70 vagas.
Outro exemplo da ambição em colocar mais crianças em creches é a reforma e ampliação da instituição no Jardim Paulistano II. A previsão é que 70 vagas sejam oferecidas no 1ºsemestre de 2018.
TOTAL DESCASO COM OS ANIMAIS
Cavalos soltos em avenidas e ruas, cães e gatos atropelados ou abandonados pelos bairros, obra do Canil que nunca acaba, número de castrações insuficientes... A lista de problemas envolvendo animais em Franca é interminável.
E engana-se quem pensa que isso está perto de acabar. Além de, diariamente, animais tornarem-se vítimas no trânsito ou em situações de maus-tratos, eles não possuem o tratamento adequado. Isso porque, há mais de três meses, o convênio com a Universidade de Franca já não existe. Ou seja: um animal pode morrer à míngua nas ruas e perímetro urbano das rodovias se não contar com a sorte de encontrar alguém que se sensibilize, tal como protetores ou amantes da causa animal.
Além disso, o Canil Municipal, que deveria abrir cães, gatos e animais de grande porte, segue em reformas e sequer há previsão de término. O VetMóvel, ‘presente de grego’ do governo de Alexandre Ferreira que deveria resgatar animais e encaminhá-los para atendimento, antes funcionava, ainda que raramente. Hoje em dia, sequer sai da garagem da Vigilância Sanitária.
Entre os problemas, estão também as castrações fornecidas pelo município. Segundo protetores, o número de animais de rua ultrapassa os 80 mil e a prefeitura disponibiliza apenas 225 castrações por mês. Em julho deste ano, o diretor da Vigilância, Nelson Salomão, disse que tenta uma verba de R$ 200 mil para aumentar o número de fichas. Não deu prazo para isso. Até agora, nada foi feito.
Sobre o Canil, o diretor destacou, em entrevista recente ao Comércio, que tudo deve melhorar após a conclusão da obra. “Todos os envolvidos sabem das nossas limitações sem o canil. Sem ele, não temos onde colocar os animais e fazer o recolhimento. O que podemos fazer apenas é colocá-los em locais próximos de onde são encontrados”, disse, novamente sem dar uma previsão de quando o problema será solucionado.
VIOLÊNCIA CRESCENTE
Os anos passam e, com eles, os municípios crescem e tornam-se mais populosos. Consequentemente, a violência também aumenta. Franca a cada dia registra ainda mais casos de assassinatos, tráfico de drogas, roubos, furtos e outros tipos de crimes.
Não há tantas mortes nesse período desde 2005. Entre as razões, estão problemas no relacionamento, ciúmes, drogas, dívidas, desavenças em bar e até brigas em família. Das mortes, 13 pessoas foram assassinadas a tiros, duas a pauladas e sete a facadas. E 13 dos 23 casos aconteceram na zona Sul de Franca, onde, de acordo com a Polícia Civil, impera a lei do silêncio.
Já em relação aos roubos e furtos, os dados são igualmente alarmantes. O tenente-coronel Valdemir Guimarães Dias, da Polícia Militar, atribui isso à desigualdade social e à legislação branda. “Nossa legislação favorece somente o bandido.”
CHUVA: UM PROBLEMA ANTIGO
“Enchente inunda casas e causa estragos em Franca”. “Resultado da chuva: casas e muros destruídos e prejuízos”. “Família perde tudo após forte chuva”. Essas três frases foram alguns dos títulos de matérias do Comércio nos últimos anos e retratam a realidade da falta de estrutura de Franca quando o assunto é chuva. O problema, que perdura mesmo após algumas reformas em córregos, parece estar sem solução. Parte da população sofre com problemas como acabar a energia e ficar horas a fio esperando pela religação da CPFL Paulista.
Uma família que mora em uma chácara da rodovia João Traficante, é exemplo disso. No final de outubro, a casa onde uma mulher, grávida do quarto filho, e seu marido moram, ficou completamente destelhada e destruída em razão da chuva. Por enquanto, não há obra prevista para os próximos anos.
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