Um centro comercial que poderia gerar mais de mil vagas de emprego, atrairia diversos visitantes de Franca e cidades da região, e que abrigaria desde entrepostos de frutas, legumes, verduras e peixes até academia, lotérica e posto de combustível. Essa era a proposta do Mercadão de Franca, cujo projeto foi anunciado em maio e teria um investimento de R$ 2 milhões. Era, já que sua inauguração estava prevista para acontecer no último dia 28, aniversário da cidade. Agora, isso não passa de um projeto e ilusão.
A expectativa era alta. Empreendedores procuraram o Mercadão, que funcionaria na avenida Hélio Palermo, no prédio da antiga Samello, e investiram pesado para se inserirem no mais novo conceito de comércio de Franca. Trabalhadores foram contratados. Obras tiveram início. Empregos foram ofertados em áreas variadas e a procura foi imensa, de ter até filas quilométricas na porta do estabelecimento.
De maio até setembro, a espera e as obras se tornaram um pesadelo. Os comerciantes e os trabalhadores perceberam que a inauguração não aconteceria em novembro após um atraso de pagamento, cheques sem fundo e a falta de alvará de funcionamento ficarem escancarados.
Com esse problema, os desentendimentos com o então administrador do Mercadão, Fernando Brígido, aumentaram. Ele, então, em outubro, se afastou do projeto e, segundo os reclamantes, não deu satisfações.
O prédio está fechado e as obras completamente paradas, sem qualquer investidor à vista. A antiga administração do empreendimento foi procurada ontem, mas não atendeu a reportagem.
Diretor da Samello diz que ‘espera novos investidores’
Dona do espaço onde funcionaria o Mercadão, a família Samello não tem previsão de quando as obras no imóvel serão retomadas. Tampouco soube falar a respeito de investidores.
O diretor da Samello, Tom Mello, afirmou que é necessário esperar novos investidores e administradores, já que Fernando Brígido abandonou o projeto. “Só depois disso, será possível comunicar o que será feito. Há vários interessados, mas nada concretizado”, explicou.
Questionado sobre eventuais dívidas de Brígido com a Samello, como aluguel do prédio e outros elementos, o diretor negou. Afirmou que o antigo administrador não lhe deve nada “em razão de um período de carência e do contrato”. “Não há nenhuma dívida conosco. Agora, só precisamos aguardar os novos investidores para que o Mercadão aconteça, as obras sigam e ele seja inaugurado.”
Comerciantes e trabalhadores reclamam de ‘golpe’ e ‘calote’
Quando entrou no projeto do Mercadão e investiu cerca de R$ 30 mil, um comerciante, que prefere não se identificar, pensou que estaria fazendo um bom negócio. Depois, quando os problemas começaram, ele percebeu que a situação não era favorável. Juntou-se a outros empreendedores e estima que a administração arrecadou pelo menos R$ 600 mil no total.
Seu discurso foi engrossado por um gesseiro que participou da obra. Só ele diz ter tido R$ 45 mil de prejuízo. “Nós, da obra, até conseguimos dois (investidores), mas a Samello recusou porque as condições não lhes agradavam”, disse.
Entre os trabalhadores, estão mestre de obras, eletricistas, encanadores, gesseiros e pedreiros. Todos pararam as obras no final de setembro. Agora, eles e os comerciantes pretendem ingressar na Justiça para garantir o recebimento do que investiram. “Muita gente colocou dinheiro ali para montar seu negócio e, hoje, passa apertado. Foi o maior golpe de Franca e afetou 58 pessoas. Nós vamos receber de um jeito ou de outro”, afirmou o comerciante.
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